29 de nov. de 2007

Sem colher de chá

A matéria de capa do caderno Paladar do Estadão de hoje fala de um assunto caro à história brasileira: o açúcar. Além de questionar o quanto estamos ingerindo por ano dessa outrora tão preciosa iguaria, o texto nos apresenta os vários tipos de açúcar encontrados no mercado brasileiro, sejam em versões pré-embalada, a granel ou entre os ingredientes de algum industrializado. E explica de onde vem esse costume tão tropical de exagerar nas colheradas de açúcar na hora de preparar sobremesas. Segundo Fabio Fiori, do Senac, o hábito tem origem na época em que não existiam geladeiras, e açúcar e sal eram nossos principais conservantes naturais. Quando é que essa gente vai se atualizar, hein? Já temos geladeiras, agora podemos maneirar no dulçor dos quitutes.

Tem um pessoal aí defendendo o valor cultural dos doces, dizendo que o açúcar nos traz conforto, nos faz alegres e tal e coisa. Outro dia fui a uma palestra promovida pela Oldways, que vim saber depois foi patrocinada pela Coca-Cola. No fim das contas, eles queriam aplaudir os edulcorantes artificiais – inclusive os dos refrigerantes – por nos permitirem sentir sabor doce sem exceder nas calorias.

Outro pessoal recomenda moderação nos adoçantes e preferência pelas opções mais naturais, como a stevia, já que ainda pairam algumas dúvidas sobre a segurança do uso de edulcorantes artificiais a longo prazo. Meu paladar ainda se inclina mais para o açúcar, seja do branco ou do mascavo, e em alguns casos sem dúvida o mel. E não sou partidária do gosto brasileiro. Aprecio mais as sobremesas de dulçor ameno. O açúcar está atrelaçado a nossa história, é tradicional, mas não precisa abundar à minha mesa só por causa disso.

27 de nov. de 2007

Convênio conveniente?

Retomo a alimentação deste blog, depois de um longo “descanso”, com uma notícia curiosa. Daqui a dois dias, representantes da indústria e do varejo e o Ministério da Saúde irão sentar para conversar. Eles pretendem assinar um “convênio de colaboração” em nome da “promoção da saúde e hábitos de vida saudáveis”, segundo a nota de divulgação. Será que todo mundo começará a falar a mesma língua? Estará a indústria, aquela mesma que adora lançar guloseimas superaçucaradas e coloridas no horário da programação infantil de TV, disposta a censurar seus anseios e investir pesado em alimentos que alimentam de verdade?

É bom lembrar que hoje as empresas estão espertas e apostam em marcas de apelos diversos. A Pepsi, por exemplo, é dona da Pizza Hut, da Quaker e da Gatorade. De um lado ela vende refrigerante, que não serve para nada do ponto de vista nutricional, e do outro vende aveia, um cereal cheio de fibra pra dar. A Kellogg’s tem o Müsli mas também tem o Froot Loops. Se até o McDonald’s começou a vender saladinha e maçã para não perder mercado para as redes mais naturebas, não há conglomerado industrial no mundo que não vá querer seu quinhão nesse mercado cada vez mais saudável.

O teor do documento a ser assinado nesta quinta-feira, de acordo com a divulgação, é de um compromisso monetário. Os donos da grana, representados pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), estariam vinculados às campanhas educativas do Ministério da Saúde por meio das tão famosas Parcerias Público-Privadas. Ah, tá. Eles continuam lucrando com guloseimas e dão uma parte do dinheiro para convencer crianças e adultos a comprar outra coisa, é isso? Soa estranho, não? Quem puder ir lá checar o que vai ser que vá e me conte. Vai ser no Hotel World Trade Center - Av. das Nações Unidas, 12.559 - São Paulo.