Acabo de assistir a mais um episódio de Jamie at Home, o saboroso programa do jovem e famoso cozinheiro britânico. Desde que voltei a morar sozinha, passei a prestar mais atenção ao que é preciso fazer para garantir algumas refeições minimanente satisfatórias em casa. E o Jamie estava sendo uma de minhas mais alegres inspirações. Eu assistia, maravilhada, ao jeito rápido como ele tornava tudo lindo e cheiroso, e ia ao sacolão chique aqui do bairro em busca de ingredientes para uma receita adaptada. Só que um trabalho que fiz sobre cozinhas seguras me deu um novo ponto de vista para a cozinha de Jamie. Pode olhar a foto. Há madeira por todo lado. A bancada dele é toda de madeira, e ele põe ali de carne crua a temperos recém-colhidos da horta. Pica tudo ali mesmo, joga na panela, pica mais alguma coisa, arrasta para o lado, põe a panela quente onde estava a cebola. Nos restaurantes, madeira é proibida. Tem de ser tudo de inox, polietileno, materiais que não servem de casa para bactérias e fungos. O Jamie também adora experimentar a comida enquanto a prepara. Mete o dedo no molho, lambe o dedo e volta a pôr a mão nos ingredientes. E diz que é para acertar no tempero para as visitas.
A cozinha de Jamie é insegura? Talvez não, se ele tiver uma faxineira caprichosa e se aqueles pratos todos forem consumidos logo. É isso que torna nossa cozinha doméstica menos ameaçadora que a comercial (quando os cuidados básicos são tomados, claro): a comida é feita para pouca gente e não fica guardada por muito tempo.
Então, se eu fosse um dia convidada a almoçar com o Jamie na casa dele, é claro que eu iria. Talvez até lambesse os dedos também. Mas aí não enfiaria a mão na comida de mais ninguém, né?
