Notícia publicada ontem no O Globo online:
"A propaganda de alimentos pouco ou nada saudáveis é o novo alvo do Ministério da Saúde. Um levantamento realizado pela Universidade de Brasília com base em 4.108 horas de programação de televisão e 128.525 peças ublicitárias conclui que 72% de toda a publicidade do setor de alimentação incentiva o consumo de produtos alto teor de gorduras, sal e açúcar. De toda a publicidade analisada, 9,7% referem-se ao setor alimentício, dos quais 18% pretendem vender fast-food; 17%, guloseimas e sorvetes; 14%, refrigerantes e sucos artificiais; 13%, salgadinhos de pacote; e 10%, biscoitos doces e bolos. Em revistas, os anúncios se concentram em publicações femininas, infantis e adolescentes e têm foco em produtos prontos para consumo.
Nesta quinta-feira, em Brasília, representantes do governo, representantes do governo, da sociedade civil, do Ministério Público e de instituições de ensino
superior se reuniram para discutir os limites desse tipo de propaganda e práticas abusivas, que atinjam em especial o público infantil. O estudo mostrou que os anúncios se concentram no período entre 14h30m e 18h30m. Segundo a coordenadora-geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, as crianças são o público mais
vulnerável porque seus hábitos na infância tendem a ser repetidos na idade adulta. Além disso, ela destaca que as crianças exercem enorme influência na decisão de compra das famílias."
27 de jun. de 2008
26 de jun. de 2008
Light uma ova?
Chegou para mim uma queixa sobre o rótulo de um produto que se dizia light (esse aí da foto). A moça é das minhas: pegou a embalagem do produto no supermercado, olhou a tabela nutricional, pegou o produto não-light da mesma marca e comparou as duas tabelas. "Comparando, rapidamente no mercado, o valor nutricional do Toddy Light com o Toddy Original, verifiquei que a versão Light tinha 37 calorias contra 80 calorias da outra", escreveu ela. Satisfeita com a diferença calórica alegada, levou o Toddy Light para casa. E foi só no sossego do lar que ela descobriu a sacanagem dos caras. Toda tabela nutricional traz o teor de nutrientes e calorias em uma determinada porção. Numa bebida, pode ser de 200 ml. No caso do achololatado versão Original, a porção de referência é de 20 gramas, ou duas colheres de sopa. Para uma comparação honesta, dois produtos semelhantes devem usar tabelas nutricionais que se baseiem numa mesma porção. Mas a Pepsico, grupo multinacional ao qual pertence a marca Toddy, preferiu fazer diferente. Colocou no rótulo do Toddy Light uma tabela baseada na porção de 10 gramas, a metade da usada na versão original. O consumidor desavisado (não é o caso da leitora em questão) vê lá: 37 calorias no Light contra 80 calorias no Original. E pensa: 'nossa, o Light é muuuuito menos calórico!' Mas pense assim: se o cidadão colocar uma só colher de Toddy Original no seu leite, em vez de duas, terá 10 gramas de achocolatado e 40 calorias adicionadas ao do leite. Se colocar a mesmíssima quantidade de Toddy Light no mesmíssimo leite, terá 37 calorias. Só três calorias a menos. Três! Ou seja, os dois produtos são praticamente iguais em termos de teor calórico!
Uma associação do setor de alimentos diz que a alegação Light só pode aparecer no rótulo de um alimento quando ele possui uma redução de pelo menos 25% no teor calórico em relação a sua versão original. Esse rótulo está enganoso? Qualquer pessoa pode ir lá no site da Anvisa tirar a dúvida. Basta clicar em "legislação" e digitar uma palavra-chave no campo de busca. Aparecem zilhões de resoluções e portarias referentes ao assunto. A que eu consultei foi esta aqui.
A ProTeste, fundação que vive checando enganações no mercado de alimentos, também confirmou que o rótulo do Toddy confunde o consumidor.
Avisei à assessoria da Pepsico que iria escrever sobre o caso e recebi uma resposta da empresa. Ela alega que a porção de referência no Toddy Light é menor porque com apenas 10 gramas desse produto, que é adoçado com edulcorante artificial, obtem-se o mesmo dulçor proporcionado por 20 gramas do Toddy Original. Outra explicação que deram é que a redução calórica mínima de 25% acontece, sim, de acordo com a seguinte conta:
De acordo com a Portaria 27/ 1998, para considerar um produto como "com reduzido valor energético", 100ml do produto pronto para o consumo deve apresentar diferença maior que 20 kcal/100ml e redução mínima de 25% do valor energético total. Se o valor energético de 200ml de Toddy Tradicional preparado com leite desnatado é 148 kcal, em 100ml temos 74 kcal. No Toddy Light, o valor energético de um copo de 200ml de leite com o achocolatado é de 106 kcal, então em 100ml é 53kcal. Assim, temos:
Redução calórica em valor: 21 kcal/100ml (74kcal - 53kcal)
Redução calórica em porcentagem: 28 % [100 - (53*100 ÷ 74)]
Eu confesso que me perdi um pouco nessa matemática, e com certeza a leitora que nos avisou da confusão também não teve tempo para calcular tudo isso durante suas compras no supermercado. Daqui a pouco só poderemos confiar nos rótulos se levarmos uma calculadora científica na bolsa?
Dificultar a escolha do consumidor não é legal. Em se tratando de achocolatados, light ou não, eu vejo assim: Se eles não pusessem tanto açúcar na versão original do produto (sempre achei os achocolatados estupidamente doces), o cidadão poderia colocar até 3 ou 4 colheres do produto no leite para obter uma cor de chocolate de verdade e um sabor agradável. Na verdade, eu preferiria colocar duas colheres de chocolate em pó mesmo, com a quantidade de açúcar ou adoçante que eu bem entendesse (provavelmente nenhum) e acabou. Mas, como gosto não se discute, defendo que a pessoa que gosta de achocolatado tenha o direito de saber quando o achocolatado light não é light coisa nenhuma, quando o teor calórico depende da quantidade que você coloca no copo - e não do rótulo.
20 de jun. de 2008
Compras mais verdes

Fazer compras de supermercado virou antiecológico. Ainda mais se a idéia for trazer as compras no porta-malas do carro. Gasta gasolina, que é combustível fóssil. E no meio de tanta opção pode-se comprar coisa demais e gerar desperdício. As embalagens todas virarão lixo e poluirão tudo se não forem reaproveitadas. E agora?
Alguém teve a idéia de que se você fizer compras sem sair de casa estará não só economizando tempo, mas também gastando menos gasolina - e portanto reduzindo sua culpa pelo aquecimento global. Hmm, sei. Deu no New York Times, ontem, que os novaiorquinos preguiçosos (ops, perdão, ecológicos) agora podem receber suas compras em casa sem nem mesmo precisar fazer uma lista do que está faltando no armário. Um aparelhinho, chamado Ikan, com leitor de código de barras, instalado na cozinha, registra os dados de cada produto industrializado que você tiver usado até o fim e cuja embalagem estiver prestes a descartar. Se você tiver uma cozinha high tech conectada à internet sem fio (e se você for um americano rico e gordo morando em Manhattan), bastará aproximar a embalagem vazia do Ikan e zupt: rapidamente um novo exemplar do produto é localizado em alguma loja eletrônica cadastrada na rede do Ikan.net e adicionado a sua lista de compras virtual. No dia em que você quiser, pode checar a lista gerada e dar um ok para que tudo seja automaticamente comprado e agendado para a entrega no horário escolhido.
Ah, sim, o sistema de leitura de código de barras não se aplica a produtos sem essa etiqueta, como frutas e verduras. Neste caso, existe uma saída igualmente sedentária: você fala com a máquina e ela registra o que você falou: banana (em inglês, claro, com sotaque de americano). Aí o sistema busca pra você qual supermercado do seu bairro vende banana. E você manualmente (porque o sistema ainda precisa melhorar em alguns quesitos) adiciona a banana à lista.
A matéria conta ainda que os caras também se encarregam de indicar uma recicladora para suas embalagens recicláveis. Legal. Útil. E tudo isso por quanto mesmo? De 6 a 8 dólares a entrega.
Diz o jornalista David Pogue que a invenção poupa cerca de duas horas semanais do cidadão que antes se deslocava ao supermercado para abastecer a despensa. Duas horas? O cara leva duas horas para fazer uma compra que vai durar uma semana? Cara. Eu levo tipo vinte minutos dentro da loja, mais cinco ou dez para me deslocar quando vou de carro. Sem falar que eu adoro supermercado (no lugar certo, dá até para paquerar)! E, afinal, quem faz as entregas também gasta gasolina, certo? Ou por acaso eles vão entregar peixe congelado de bicicleta?
Outra invenção tecnológica destinada a agilizar as compras de supermercado encontrei aqui. Trata-se de uma maquininha acoplada ao carrinho, que procura dentro da loja o produto que você quer e informa o preço na tela, sem que você precise se deslocar pelos corredores até encontrar. Ainda é um protótipo, mas de repente alguém resolve fabricar...
Nessa linha, encontrei também a idéia de um carrinho de compras que avisa se o que você colocou lá dentro é comida decente ou trasheira. É, rapaz. Bota lá um pacote de Elma Chips e o carrinho te chama de gordo! Na verdade ele avisa se o produto tem excesso de gordura ou sal ou outra coisa. Mas dá na mesma, certo?
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