28 de fev de 2013

Como forçar a indústria de alimentos a fazer o bem


Por Trás das Marcas: Campanha pede que as maiores marcas de alimentos melhorem suas políticas sociais


Saiu nesta terça-feira, 26 de fevereiro, um relatório enorme mostrando as fraquezas das políticas sociais das dez maiores marcas de alimentos do mundo. O resultado da extensa pesquisa realizada pela Oxfam, ONG internacional que combate a insegurança alimentar, foi que Nestlé, Unilever, Pepsico, Associated British Foods, Coca-Cola, Danone, General Mills, Kellogg's, Mars e Mondelez não estão tomando conta direito do que acontece com a terra, a água e os trabalhadores que plantam e fabricam seus produtos. 

Nesta fase da campanha Por Trás das Marcas, que terá continuidade, o que está sendo avaliado não são os impactos socioambientais das empresas, mas sim os cuidados que elas tomam para controlar esses impactos. Todas elas já se comprometeram publicamente, por meio de documentos, a reduzir seus impactos socioambientais. O que a Oxfam fez foi verificar em que medida as empresas estão trabalhando para cumprir o que prometeram.


A Oxfam mostrou isso de um jeito muito interessante, para qualquer pessoa entender. Montou um site todo colorido, fácil de navegar, com letras e números grandes, com diversas possibilidades de visualização e comparação. Você pode ver numa única página, por exemplo, que todas as marcas levaram nota de 3 para baixo, numa escala de zero a 10, no quesito preocupação com o devido uso da terra. 

Dessa página você pode ir para uma outra em que aparecem todas as notas de uma marca que você escolher. Verá, por exemplo, que a Danole levou nota 1 nos quesitos preocupação com o tratamento dado à mulher, compromisso com os direitos dos fazendeiros e com o uso da terra; nota  3 no controle dos impactos climáticos e das condições em que vivem os trabalhadores; nota 5 no controle do uso da água e nota 6 em transparência. 

O site vai conduzindo você de uma página a outra, muito confortavelmente, e você vai descobrindo  o tamanho da responsabilidade da indústria de alimentos nascida em países ricos (as dez marcas são multinacionais, certo?) sobre o bem-estar das pessoas nos países pobres e quanta coisa ruim pode acontecer nos bastidores da produção de alimentos sem você saber. Foram sete os quesitos avaliados. Nenhuma marca levou nota maior que 7 em nenhum quesito.

Toda essa linguagem amigável serve para mostrar a você, consumidor, que você tem um dedo nessa história pouco bonita. Um dedo que pode ajudar a melhorar esse quadro. Sabe como? Dizendo pro mundo, principalmente para as marcas que você consome, que você faz questão de que elas cuidem melhor das pessoas e do planeta. E você pode fazer isso usando esse dedo para clicar no site e levar a mensagem adiante.

O site facilita isso para você. Ele convida o internauta a compartilhar informações do relatório nas mídias sociais e a se comunicar diretamente com as marcas, também via mídias sociais, solicitando melhorias. Bora lá participar!

Para quem quiser entender como foi que a Oxfam chegou a essas notas, há uma tabela Excel com todas as fontes dos dados analisados, dados esses que as próprias empresas ajudaram a Oxfam a obter. A intenção não é expor as empresas simplesmente, mas cobrá-las publicamente e chamá-las a buscar melhorias em seus processos. No site, estão sendo publicadas também as respostas das empresas ao que está sendo cobrado delas. 

Ótima iniciativa, daquelas que eu tenho vontade de fazer parte ou copiar. Tomara que o mercado de alimentos torne-se mesmo cada vez mais transparente, verdadeiramente transparente, e que as pessoas participem para valer dessa cobrança. É para o bem de todos nós. 



Nenhum comentário: