Eu tinha essa dúvida há um tempão. E não adiantava ligar pro SAC pra perguntar: eles não conseguiam explicar de uma maneira convincente qual era a diferença entre os corantes e aromatizantes naturais e os artificiais. Quem me esclareceu a questão foi o canadense Joe Schwarcz, aquele que publicou o ótimo "Uma maçã por dia". Agora, no livro "Barbies, bambolês e bolas de bilhar", ele entrega quilos de esclarecimentos vindos da química, e um dos propósitos é mostrar por que estamos tão errados quando acreditamos que "químico" é um adjetivo que confere uma qualidade ruim a algo que um dia foi natural e bom. Schwarcz quer que a gente entenda que tudo nesta vida é química, do funcionamento dos nossos corpos e mentes ao que comemos, ainda que seja a cenoura mais natureba colhida há cinco minutos no fundo do quintal.
Bem, no capítulo "Goela abaixo", para o qual pulei direto por tratar da química dos alimentos, ele fala do papel de certos micróbios na produção de certos produtos. E parte do exemplo da, de novo, maçã. Schwarcz nos apresenta o ácido málico, uma substância QUÍMICA presente NATUALMENTE nas maçãs. É essa substância que dá o tom mais forte do sabor dessa fruta, incluindo a acidez. A indústria de alimentos precisa do ácido málico para fabricar sucos, biscoitos e outras coisas com sabor de maçã. Como ela consegue isso é o que eu sempre quis saber. Bem, vamos por partes.
Se o ácido málico que irá para o suco de caixinha puder ser extraído diretamente de maçãs de verdade, o rótulo do produto poderá trazer a alegação "sabor natural de maçã". Mas essa não é uma opção muito viável, porque o processo de extração do ácido málico das frutas é muito caro e nada prático. Imagine quanto custaria um litro desse suco.
A indústria costuma tirar o ácido málico de um meio de produção mais barato: fungos. O fungo Rhizopus nigricans trabalha de graça para a indústria se receber glicose em troca. Bem alimentado com glicose, o fungo fabrica ácido málico como resíduo metabólico. E de onde a indústria tira a glicose? Compra no mercado? Não. Pega de outro fungo, o Aspergillus niger, em troca de amido, que é fácil e barato de conseguir. O suco feito com esse ácido málico vindo da "barriga" do fungo ainda pode ser rotulado como natural. E por quê? Só porque fungos são seres naturais. Não interessa se a indústria usou tecnologia, máquinas e linhas de produção. Ela tem, pela legislação, o direito de rotular dessa maneira.
Só quando o ácido málico é produzido por meio de técnicas químicas comuns, nas palavras do autor, é que ele precisa ser chamado de artificial. Schwarcz acha isso um contrasenso. Porque o ácido málico é sempre ácido málico. A molécula é a mesma, a substância é sempre química. Eis a vantagem alegada por ele, portanto, para usar micróbios na produção de alimentos. Sai barato e ainda leva o rótulo de natural.
Vale a pena dar uma olhada no que ele diz sobre outros "naturais" da indústria, e não só no ramo dos alimentos. Fica claro que essa palavra tem sido usada a torto e a direito sem que o significado dela seja real. Por exemplo, alguém pode me dizer o que raios quer dizer "sanduíche natural"?
3 de mar. de 2009
2 de mar. de 2009
Problemas com gelatina
Reproduzo aqui comunicado à imprensa da Associação Pro Teste:
"A Pro Teste Associação de Consumidores avaliou 11 pós para gelatina sabor morango: quatro na versão tradicional, quatro na versão diet e três na versão zero. A conclusão foi que estas gelatinas não devem ser consumidas por crianças (nem mesmo aquelas que têm desenhos no rótulo para atrair os menores).
Os problemas encontrados foram: açúcar em excesso, edulcorantes (adoçantes) em duas marcas que já continham açúcar, e de um corante artificial relacionado a distúrbios no público infantil. Adultos podem consumi-las, mas com moderação. Já entre as gelatinas sem açúcar, todas foram bem avaliadas.
Não existe no Brasil uma legislação específica para gelatinas em pó. A PRO TESTE avalia que a criação de normas que regulem esse alimento é fundamental para a definição de alguns parâmetros, como limite de açúcar e quantidade de colágeno e proteína, a fim de que as gelatinas sejam produzidas dentro de padrões de qualidade.
A quantidade excessiva de açúcar pode contribuir para a obesidade infantil, além de acostumar as crianças ao paladar doce. Quanto a presença do corante artificial Amarelo Crepúsculo, já existem leis na Europa proibindo o uso desse corante, que está associado à hiperatividade.
A adição de edulcorantes (adoçantes) não é recomendada no caso de alimentos destinados ao consumo por crianças e gestantes. O consumo é indicado apenas por restrição alimentar e com acompanhamento médico.
As análises apontaram que estão sendo adicionados edulcorantes em gelatinas tradicionais sem que a informação apareça em destaque no rótulo. E as duas testadas que apresentam esse problema fazem uma propaganda totalmente voltada para o público infantil em seus rótulos. A Royal traz na embalagem o personagem Bocão. A Dr. Oetker tem uma promoção para ganhar mochilas em forma de animais de pelúcia."
"A Pro Teste Associação de Consumidores avaliou 11 pós para gelatina sabor morango: quatro na versão tradicional, quatro na versão diet e três na versão zero. A conclusão foi que estas gelatinas não devem ser consumidas por crianças (nem mesmo aquelas que têm desenhos no rótulo para atrair os menores).
Os problemas encontrados foram: açúcar em excesso, edulcorantes (adoçantes) em duas marcas que já continham açúcar, e de um corante artificial relacionado a distúrbios no público infantil. Adultos podem consumi-las, mas com moderação. Já entre as gelatinas sem açúcar, todas foram bem avaliadas.
Não existe no Brasil uma legislação específica para gelatinas em pó. A PRO TESTE avalia que a criação de normas que regulem esse alimento é fundamental para a definição de alguns parâmetros, como limite de açúcar e quantidade de colágeno e proteína, a fim de que as gelatinas sejam produzidas dentro de padrões de qualidade.
A quantidade excessiva de açúcar pode contribuir para a obesidade infantil, além de acostumar as crianças ao paladar doce. Quanto a presença do corante artificial Amarelo Crepúsculo, já existem leis na Europa proibindo o uso desse corante, que está associado à hiperatividade.
A adição de edulcorantes (adoçantes) não é recomendada no caso de alimentos destinados ao consumo por crianças e gestantes. O consumo é indicado apenas por restrição alimentar e com acompanhamento médico.
As análises apontaram que estão sendo adicionados edulcorantes em gelatinas tradicionais sem que a informação apareça em destaque no rótulo. E as duas testadas que apresentam esse problema fazem uma propaganda totalmente voltada para o público infantil em seus rótulos. A Royal traz na embalagem o personagem Bocão. A Dr. Oetker tem uma promoção para ganhar mochilas em forma de animais de pelúcia."
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