18 de dez de 2012

Nutricionismo


O termo foi cunhado por Gyorgy Scrinis na década passada e dá nome ao livro que ele vai lançar em 2013 (em inglês). Mas quem tornou o termo famoso foi meu ídolo Michael Pollan.

Nutricionismo é uma concepção reducionista da comida, que de tanta importância que dá ao conteúdo energético e aos nutrientes conhecidos (proteínas, gorduras, carboidrados e tals) presentes nos alimentos, acaba levando a gente a acreditar que não precisa de alimentos, e sim de nutrientes.

O nutricionismo é perigoso porque vende a ideia de que, adicionando nutrientes a qualquer coisa, essa coisa se torna alimento. E também porque finge que a ciência da nutrição sabe absolutamente tudo sobre os alimentos. Quem disse que a comida não contém trocentas outras substâncias que ninguém ainda descobriu? Quem disse que todas as interações entre a comida e a saúde já foram estudadas? Como é que, sem saber tudo, a nutrição pode decretar que basta ter nutrientes e pronto?

Você deve conhecer um monte de coisas adicionadas de nutrientes que são na verdade produtos comestíveis disfarçados de comida. Os supermercados são especializados nesse tipo de coisa. E, quanto mais nutrientes adicionam a essas coisas, mas a gente é levada a acreditar que essas coisas são nutritivas e saudáveis.

Há quem diga que, quanto mais uma coisa diz, por meio de frases em seu rótulo, que é saudável, mais a gente deveria fugir dela. Porque o que é comida de verdade normalmente não diz nada, nem precisa dizer nada para convencer o público de que faz bem, porque a gente já sabe.

Eu diria que, se parece difícil distinguir no supermercado entre o que é e o que não é saudável, devido à confusão de tabelas, alegações e números difíceis de calcular, talvez a gente devesse parar de procurar nutrientes e voltar a procurar comida. Quão comida e quão produto-imitação-de-comida é isso que você está pensando em comprar?

Mark Bittman, um jornalista americano que também gosta desse tema, escreveu um artigo recentemente defendendo um modelo de rótulo que diga justamente qual é o teor de comida presente nos produtos comestíveis. Ele chamou isso de "foodness". Genial, né?

Enquanto esse rótulo não existe, fica a dica do nutricionismo. Examinar a composição nutricional dos produtos é legal, mas não vá achar que é só isso que importa. Na dúvida, coma comida.






Um comentário:

Maína Pereira disse...

Francine, adorei ver seu retorno de atualizações no blog! Não para não! O Brasil estava precisando de um blog deste nível para questionar a verdadeira comida!

Beijos!