26 de fev. de 2009

Acabou o leitinho da criança

Então era verdade. Passados alguns meses de suspeita e observação, confirmei. Sou intolerante à lactose, o açúcar presente no leite e nos queijos. Isso explica por que meu intestino andava tão zoado. Sem ser digerida, a lactose serve de comida fácil e abundante para as bactérias do meu intestino, que na hora de se alimentar fermentam esse açúcar e liberam... you know... gases! Dentro de mim. Agora chega, né? Vou cuidar melhor do meu panduzinho.

Agora tenho duas alternativas: dar adeus ao meu leitinho querido com cereal, ao creme de ricota no pão de manhã e às pizzas com mussarela ou continuar saboreando essas tradicionais delícias e passar a digeri-las com a ajuda de cápsulas de lactase, a enzima que eu não tenho (ou tenho insuficientemente) e que consegue quebrar a lactose para mandar glicose pro meu sangue.

Meu nutrólogo sugeriu algumas substituições. Uma das mais saborosas eu já venho testando há alguns meses. É uma pasta de tahine com melado. Misturam-se os dois na mesma proporção numa vasilha de vidro que pode ser armazenada fora da geladeira e pronto: tem-se um substituto para os laticícios de passar no pão. E é muito gostosa. A outra sugestão para o pão são pastas temperadas de tofu, batidas no liquidificador com alguma coisa que dê sabor. Eu testei uma vez só com espinafre e alho e descobri que exagerei no alho.

No carnaval, conheci uma mulher que também evita os laticínios e toma todas as tardes uma vitamina de leite de soja com frutas. Ela mistura tantas frutas diferentes (claro, em pequenas porções) que o gosto da soja quase some. Quase. Seria uma alternativa para o leite matinal. Se bem que, segundo o nutrólogo, o iogurte não vai me fazer mal.

Mas ainda fico pensando no que será das minhas sextas-feira sem pizza e das minhas tardes de domingo sem farinha láctea com leite. O médico me indicou uma pizzaria vegana que ele garante que é boa (Lar Vegan, em Sampa) e me passou umas receitas para me suprir melhor de outros nutrientes que estão faltando, como ômega 3, ferro e vitamina B12. Terei de tomar uma suplementação por três meses e depois repetir parte dos exames para ver se essas falhas nutricionais foram corrigidas.

E ainda me perguntaram: nutrólogo, você? Mas você come tão direitinho! Sim, é verdade que eu procuro me alimentar direito e que a maior parte dos exames veio com ótimos resultados. Colesterol, triglicérides, insulina, vitamina D e outras coisas importantes estão em perfeito equilíbrio. Mas o leite talvez esteja atrapalhando a absorção do ferro. Até a absorção do cálcio o leite dificulta, no meu caso. Mas meu nível de cálcio está bom porque retiro de vegetais. Veremos depois da suplementação e da suspensão dos laticínios como é que fica. E sem chorar sobre o leite derramado de propósito no ralo da pia, na despedida.

18 de fev. de 2009

Vitaminas? Só as do liquidificador

Novos estudos questionam a eficácia da ingestão de pílulas de vitaminas na prevenção e no tratamento de problemas de saúde, como o câncer. Matéria no New York Times desta segunda-feira diz que metade dos americanos consome suplementos alimentares diariamente, gastando com eles 23 bilhões de dólares por ano. Essa dinheirama pode estar sendo desperdiçada. Um estudo de oito anos com 161 mil senhoras mostrou que não houve benefício no uso contínuo de vitamínicos. A preocupação dos pesquisadores é com o excesso de vitaminas. “A maioria dos antioxidantes é também pro-oxidante", disse o pesquisador Peter H. Gann, do departamento de patologia da Universidade de Illinois, em Chicago. "No contexto certo e na dose certa, eles podem ser capazes de causar problemas em vez de preveni-los", explicou Gann.

As vitaminas continuam sendo importantes para a saúde, afirmam os pesquisadores. Mas talvez não na forma de cápsulas. A suspeita, que não é nova, é de que os benefícios das vitaminas para a saúde não se devam a uma vitamina isoladamente, mas ao conjunto das substâncias presentes nos alimentos. Ou seja, uma dieta balanceada seria mais do que suficiente para manter as pessoas longe das doenças provocadas por deficiências nutricionais. E certamente muito mais barata.

16 de fev. de 2009

O casamento do meu melhor namorado

E lá se foi ele. Bom partido pra chuchu. Vegetariano, desses que gostam de cozinhar. Conheceu a moça na minha casa, numa festinha, num dia de fossa, vários fins de namoro depois daquela conversa com alguma cerveja em que decidimos seguir cada um para o seu lado, sem no entanto abrir mão de uma amizade ótima que vale a pena manter. Veio tentar se animar na festinha e deu nisso. Tomamos vinhos, comemos quitutes leves com pastas de azeitona e grão de bico e frutinhas. Então saiu rapidinho da fossa, engatou namoro com a moça bonita e em menos de um ano, casados. O amor é lindo. O casamento foi lindo. E vegetariano, como o noivo. A festa teria valido a pena só pelo bufê, não tivesse sido muito bacana também pela originalidade da cerimônia, pela beleza da decoração na casa da mãe da noiva e pela presença de várias pessoas legais.

Na primeira sala, um jardim de doces impecavelmente embrulhados em envelopinhos de papel. Certamente eram todos muitíssimos saborosos, mas era impossível provar todos ao final da vesta depois da fartura de gostosuras salgadas (e alcoólicas) que vieram antes. Então a gente seguia pelos cômodos, ia cumprimentando as pessoas, aceitando taça de vinho e, muito curiosamente, os canapés.

Ah, os canapés. Um melhor que o outro. Primeiro, um de tomate com ricota e alecrim que era meio doce e meio salgado. Surpreendente. Depois, um de homus. Mais tarde, uma cestinha feita de gergelim recheada de queijo de cabra. Não sei quantos repeti de cada um e dos outros todos que passaram por mim, entre um gole e outro de vinho branco ou de caipirinha de frutas vermelhas (lindas!). Uma pausa no bate-papo para assistir aos discursos (dos amigos, pois não houve padre, pastor ou juiz) e, logo depois, o jantar. Uma salada de grãos com verdura num pote de vidro transparente seguida de uma polenta cremosa com molhos (de tomate ou gorgonzola, com pesto e queijo ralado), servida numa tigela de louça esverdeada. Tudo uma delícia.

Eu nem tinha me ligado de que o cardápio era vegetariano, até o nutrólogo que foi padrinho do noivo vir comentar sobre os prazeres que os carnívoros não acreditam ser possível tirar dos vegetais. Na comparação com os tradicionais (e muito gordurosos) salgadinhos de festa, como coxinhas e empadinhas, não tem nem comparação. Os canapés do casamento do meu melhor (ex)namorado bateram de longe qualquer tradição. E, para quem ainda duvidava, deram mais uma evidência de que esse casal acertou na união.

Parabéns aos noivos!

11 de fev. de 2009

Almoço da mama

Uma pesquisa da Knorr (marca de caldos industrializados pertencente à Unilever) feita em 2008 com mais de 6 mil pessoas em 12 países, incluindo o Brasil, procurou avaliar os efeitos das refeições em família - e em casa - na vida das pessoas. A conclusão foi que comer em família ajuda no aprendizado das crianças, torna as pessoas mais alegres e contruibui para um consumo regular de frutas e hortaliças. A parte brasileira da pesquisa levantou que 49% das paulistanas jantam em família todos os dias. Diz o texto de divulgação: "A mulher moderna brasileira gosta de cozinhar para sua família. Porém, gosta de fazer pratos simples, sem ingredientes ou medidas complicadas. Ainda assim, 59% das brasileiras veem o ato de cozinhar como uma obrigação. Para elas, mais importante do que a preparação em si é compartilhar a refeição com a família, receber os elogios e ser valorizada pelo seu trabalho. A comida do dia-a-dia tem grande carga emocional, antes de ser saudável ou prática. Para 85% o momento da refeição é de prazer." O material diz ainda que 30% dos entrevistados (nos 12 países) dizem que trabalhar até mais tarde os impede de comer com a família e 28% alegam conflito de horários.

A primeira coisa que eu pensei ao ler esses dados foi: caramba, e quem não mora com a família? E quem cozinha só pra si? Será que deveria chamar sempre alguém pra comer junto e falar dos problemas no trabalho e das dificuldades do curso de pós-graduação? Será que cachorro e gato contam como família?

Tem dia, lá em casa, em que eu fotografo meu prato pra registrar o que só eu vi e, quem sabe, um dia, mostrar pra alguma amiga que estou melhorando na cozinha. Bem, só de ver a foto ela não vai poder conferir o sabor, mas pelo menos ficará provado que eu tento fazer meu papel de mãe que escolhe com carinho os ingredientes e as receitas e se preocupa com a saúde da família e se desculpa quando queima o arroz. Mesmo não sendo mãe de ninguém e não tendo gatos nem cachorros.

Deve ser por isso que adoro receber visitas pro almoço de domingo...