5 de jul de 2011

As vantagens de trabalhar em casa


Por que não ter a estrutura de um escritório grande ao meu dispor me ajuda a cuidar da saúde


Um mês depois de voltar a ser freelancer, começo a curtir de novo as benesses de trabalhar num home office. É verdade que, em casa, é preciso tomar alguns cuidados para não deixar a solidão tomar conta e entrar numa certa depressão. Ficar online, marcar almoços de trabalho e encontros com amigos é fundamental para manter a autoestima em alta. Mas, em vários aspectos, é bem mais saudável pro meu corpo ficar sozinha do que passar a maior parte do tempo dentro de uma redação toda estruturada, em que tenho de estar com aparência produtiva o tempo todo. Explico.

Todo dia, lá pelas 17h, me bate aquela fome vespertina inevitável. Na editora, eu tinha uma bolsinha térmica com frutas e algumas variações de lanche, como pão com geleia (gelado) e iogurte com granola à parte. Mas muitas vezes não parava o trabalho para comer assim que a fome batia e deixava o estômago roncando uns bons minutos. Quando o lanche acabava e a fome não tinha terminado, era duro. Até chegar em casa e finalmente jantar, a fome e a irritação cresciam. Mas por que eu não ia atrás de mais comida lá dentro da empresa mesmo? Oras! Porque, além de uma máquina com sanduíches e salgados horrorosos (que eu nunca comprava) em cada andar, só o que havia ali era uma lanchonete com cardápio limitado a uma distância de seis andares e mais 100 metros da minha mesa. Não era solução pra todo dia. 


Meu home office fica no chamado quartinho de empregada, ao lado da lavanderia, que por sua vez está ao lado da cozinha. Bastam quatro passos para alcançar a geladeira e montar na hora, em menos de cinco minutos, meu lanchinho gostoso de fim de tarde. Aqui, tenho pão multigrãos, requeijão, geleia, café coado, granola à vontade, iogurte “natural”, leite com baixa lactose e frutas variadas a meu dispor. Quando quer que a fome venha, posso atacar alguma coisa na cozinha rapidamente, com a garantia de ter passado pelo meu próprio crivo de qualidade nutricional no dia da compra de supermercado.

E, desculpem a crueza da informação, mas eu sou um filtro. Bebo água o dia todo e elimino o excedente inúmeras vezes ao dia. Na redação, era um tanto constrangedor levantar para ir ao banheiro tantas vezes. Minha colega de “baia” já reclamou: “de novo, Francine?!”. Aqui em casa, escapo para o xixi sem cerimônia, quantas vezes for necessário, e sem perder muito tempo. Afinal, isto é um apartamento, tá tudo aqui pertinho.

Só por me permitir matar a fome sempre que ela grita e eliminar as sobras sempre que elas querem sair, trabalhar em casa já é um incentivo a movimentar o corpo com mais frequência. Mas, sem a estrutura de uma empresa, com secretaria, motorista e serviços de entrega, eu também sou obrigada a me movimentar mais pelo bairro. Felizmente, moro num lugar em que consigo resolver tudo a pé. Andando rápido pelas calçadas, em meia hora imprimo documento na papelaria, compro envelope, envio correspondência pelo correio, pago conta no banco e volto para casa com a papelada em dia. Se precisar ir alguns quarteirões mais longe, posso ir de bicicleta.

Pode parecer bobo, mas são detalhes simples como esses que garantem nossa qualidade de vida quando é preciso trabalhar sentada, digitando num computador, muitas horas por dia. Levantar da cadeira de hora em hora, alongar o corpo e dar uma espiadela pela janela, dizem os médicos, faz uma diferença danada na prevenção de problemas de vista e dores nas articulações.

Uma jornalista pernambucana me contou há pouco que, aos 35 anos, descobriu que tem artrose. Ficou chocada. “Discos vertebrais atrofiados”, ouviu do médico. E veio a saber que isso é cada vez mais comum em pessoas jovens que passam muito tempo com má postura, se alimentando mal e repetindo os mesmos pequenos movimentos articulares no horário de expediente. O sedentarismo também é um atrativo e tanto para a atrose. Quem de nós está imune?

Fisicamente ativa quando mais nova, essa colega nem desconfiava que teria esse problema tão cedo. Agora, interrompe o trabalho (e a conversa online com amigos) de hora em hora para se alongar e está metida com sessões de fisioterapia, RPG, Pilates, massagens e algumas outras terapias que custam um bom dinheiro – e um bocado de horas semanais.

Confesso que fiquei assustada, mesmo sendo uma pessoa fisicamente ativa. Vai saber. Em vez de teclado grande e apoio para os cotovelos, como eu tinha na redação, em casa uso notebook e uma cadeira menos confortável. Meu escritório não tem janela. E eu faltei no treino de segunda-feira. Uma certa preocupação eu tenho, sim. Quer saber? Chega de computador por hoje. Vou espichar as pernas lá fora. Até mais.

4 comentários:

Carol Minas disse...

Engraçado: eu, se tivesse que escrever sobre o mesmo assunto, provavelmente faria algo do tipo "Os perigos de trabalhar em casa". Nada mais tentador que uma geladeira a quatro passos de mim; eu levantaria de 10 em 10 minutos pra comer...
Mas eu leio este relato de bons habitos e vou pra cama incentivada a fazer diferente amanhã :)

Beijo!

marianinha01 disse...

Francine, que bom que resolvi estar atenta aos comentários na sua última coluna de Época. Estava DESESPERADA sem seus posts! AGora encontrarei todos aqui, que felicidade! Beijos, Mariana Cabral, Natal/RN

Francine Lima disse...

Eita, Mariana. Vou tentar ficar menos tempo sem escrever! Bem-vinda!

Francine Lima disse...

Carol, já pensou em usar um alarme? Em vez de obedecer à fome ou à vontade de comer, você daria a suas refeições uma rotina regrada pelo relógio. A cada três horas, um chamado do relógio anunciaria seu direito de comer o que o horário permitisse, com itens e porções previamente delimitados. De preferência, um cardápio diferente todo dia (coisa que eu não faço, aliás). Será que funciona?

Depois me conta.
Beijos