19 de set de 2011

Alimentos com missão

Belas histórias de vida estão por trás de novidades no mercado de alimentos


Na semana passada estive no VII Congresso de Nutrição Clínica Funcional, organizado pela VP Consultoria Nutricional. Sempre quis ir, mas nunca conseguia. O evento bombou. Assisti a algumas palestras lotadas, com mulheres de salto muito alto sentadas no chão, e não foi fácil acompanhar os temas mais complexos. Anotei, gravei e reuni algumas informações que poderei aproveitar um dia. Experimentei alguns quitutes, colecionei folhetos. Mas o que eu mais gostei de conhecer foram algumas pessoas com histórias bonitas para contar. Pessoas que estavam ali não como profissionais apenas, mas principalmente como cidadãos idealistas, como pensadores preocupados com a sociedade, como seres humanos que carregam dentro de si uma crença enorme no poder de suas ações e palavras.


Como o Zeca Baldarena e a Cristiane Rizardi, do Santo Dom, a empresa de massas sem glúten que eles criaram. Primeiro experimentei um ravióli, sem quase perceber qual era a diferença na comparação com uma massa comum. Em seguida, mal comecei a fazer perguntas e os dois desataram a falar pelos cotovelos, e muito alegremente, sobre de onde veio a ideia de produzir massas sem trigo e como foi que conseguiram desenvolver receitas tão boas.

Tanto a Cris quanto o Zeca, segundo me contaram, trabalhavam em cantina italiana, fazendo massas a base de trigo. Tudo ia muito bem até que, em datas diferentes, os dois toparam com clientes que estavam no restaurante acompanhando familiares, mas que não podiam comer suas deliciosas macarronadas. Primeiro foi a Cris, que não se conformou de saber que a cliente passava vontade devido à intolerância ao glúten e quis porque quis achar um jeito de resolver o problema da moça. Depois foi o Zeca, que pediu licença ao chefe para ouvir todo o depoimento do freguês celíaco, curiosíssimo para entender como era aquilo e ao mesmo tempo incapaz de conter as lágrimas diante do tal drama dietético. Ficou verdadeiramente tocado pelas informações obtidas e aprendeu um bocado. E foi assim que a vida da Cris e do Zeca mudou para sempre. A ponto de eles abandonarem o trigo em sua própria dieta, em nome dos benefícios para a saúde alegados até para os não-celíacos.

Zeca, com seus olhos azuis bem abertos, me disse que ficou tão mergulhado no projeto de desenvolver massas sem glúten que largou tudo que já tinha construído com base no trigo. Abandonou a produção de massas tradicionais, perdeu clientes, deixou de ganhar dinheiro e teve de pedir ajuda à família para pagar as contas até que o novo negócio começasse a andar. Há poucos meses, ele e a Cris produzem suas massas em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, e tentam divulgar a marca em oportunidades como essa, da feira do Congresso de Nutrição Funcional. É um longo período de investimento antes de começar lucrar. Mas Zeca está entusiasmadíssimo. Ouviu dizer que a sua massa é melhor que a que estão fazendo na Itália. Diz que acredita no destino. Acredita que as coisas dão certo quando têm de dar, quando as pessoas certas estão envolvidas, e que o que dá errado na verdade não era para acontecer.

O Zeca, assim como outras pessoas que conheci no evento, descobriu sua missão nesta vida e está apostando todas as fichas nela. Não sei se a massa do Santo Dom é ou não é melhor que a de outras marcas. Mas achei importante que eles acreditem no que estão fazendo acima de qualquer coisa, e estejam focados em fazer o bem. Essa é minha bandeira também.

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