17 de fev de 2013

Mais lucidez no supermercado, por favor



Não consigo me conformar. Não consigo achar normal. Cada vez que vou ao supermercado, fico chocada com o que as pessoas põem no carrinho e com a dependência que pensam ter da sacola plástica. Por que acham que precisam de tantos produtos embalados? Por que compram tudo aquilo? Tanta coisa que não alimenta, que engorda, que as enche de sódio, açúcar e gordura trans, que engana e deseduca o paladar... Por quê?

O mais assustador é que me parece ser a maioria. Quinzenalmente vejo todo mundo, com poucas exceções, botando toda a compra dentro de inúmeras sacolinhas. É a decisão mais estúpida. Em casa, vão desembarcar na garagem e fazer um monte de viagens do carro até o elevador, do elevador até o hall, do hall até a cozinha, carregando quatro ou cinco sacolas por viagem em vez de levar tudo de uma só vez, três vezes no máximo, dentro de poucas caixas de papelão (ou madeira plástico, se preferir). E vão acumular as sacolas em casa, achando que um dia darão conta de gastá-las todas com o lixo doméstico. 


Quanto custa perceber que essa compra desvairada é um ciclo vicioso tremendamente nocivo? Compram um monte de coisas inúteis que não fazem nenhum bem à saúde (e no acúmulo fazem mal), gastam dinheiro em excesso com comida e bebida pouco nutritivas, produzem quilos de lixo que poderia ser evitado e consomem litros de petróleo na forma de sacolas de plástico para embalar todo esse lixo, que depois vira problema ambiental. 

A hora da compra no supermercado é uma das grandes oportunidades que as pessoas têm de serem mais sensatas. Poderiam fazer escolhas melhores, não poderiam? Deveriam. Para o próprio bem, para o bem de seus filhos, netos, tataranetos. Para o bem dos índios na Amazônia, dos pobres na África, dos golfinhos no oceano, o que queira. Para ajudar a garantir o alimento dos bilhões de pessoas que habitam e estão por habitar este planeta -- e que cada vez mais está nas mãos das multinacionais que produzem produtos comestíveis pouco ou nada nutritivos. 

Mas não. Compram refrigerantes em garrafas PET recicláveis, ou sem pensar em nada ou pensando que a reciclagem é o grande salvador da pátria, mesmo quando as embalagens recicláveis vêm de uma indústria que só produz o que é inútil e poluidor. Compram nuggets de frango ou legumes para fritar, sem pensar se esse lixo comestível embalado em caixa de papelão não reciclável (porque estará sujo) está substituindo um prato bem mais saudável feito em casa e sem gerar lixo. Compram biscoitos recheados, barras de chocolate com gordura vegetal e pouco cacau, bisgaguinhas de carboidrato refinado e até iogurte adoçado e com corante, achando que é isso que faz um café da manhã saudável. 

Eu não sei se isso é infantilidade do tipo "ah, ok, eu sei que não é tão legal, mas é gostoso e eu queeeero", se é dificuldade de entender o que dizem as notícias, se é incapacidade de aplicar a informação obtida em suas atitudes diárias, ou se é um problema de orçamento, já que um carrinho de compras carregado com alimentos processados em geral contém muito mais calorias por centavo do que um carrinho preenchido com comida de verdade. Se eu fizesse compras num supermercado da periferia, poderia até acreditar nesta última alternativa. Só que não. Faço compras num supermercado da zona oeste paulistana, próximo à Pompéia, onde o freguês típico é alguém que gasta facilmente mais de R$ 200 na compra. 

Duvido que essa gente não assista ao Globo Repórter de vez em quando. Ou à Ana Maria Braga. Já devem ter visto um monte de matérias sobre alimentação saudável na TV. E não aprenderam nada? Não é possível. 

Intransigência minha? Estou sendo muito "de direita" querendo que as pessoas comam todas de um jeito só, gostem todas das mesmas coisas, importem-se todas com os mesmos problemas do mundo? Acho que seria um exagero muito grande da sua parte pensar isso de mim. O que eu defendo é que as pessoas sejam mais atentas aos seus hábitos de consumo. Pensem no que comem e nos efeitos dessa comida (ou produto comestível) em seu organismo. Pensem na educação alimentar que estão dando a seus filhos. Pensem sobre o que estão comprando e nas consequências dessa compra para além do próprio umbigo. 

Toda compra é uma escolha que deveria ser consciente. Toda compra tem consequências. Por favor, não as ignore, não as negligencie. Não seja estúpido. Por favor. 

2 comentários:

Unknown disse...

As sacolas plásticas realmente são um grande problema. Criei o hábito de levar sacolas de casa (feitas de pano) quando vou às compras. Entretanto, fiquei desapontado quando soube que esses sacos de lixo que compramos têm o mesmo tempo de degradação no meio ambiente que as sacolas dadas nos supermercados. Então, no final, dá na mesma utilizarmos sacolas distribuídas no supermercado ou específicas para lixo. Na realidade, para o problema ser realmente solucionado, os supermercados deveriam ser obrigados a distribuir sacolas de material biodegradável e as empresas produzirem sacolas de lixo com este tipo de material também.

Leo Souza disse...

Concordo muito com vocÊ.