19 de mar. de 2006

"Mãe, eu quero bróóóócolis!"

Você acha que propaganda de biscoito recheado em todos os intervalos do desenho animado influencia a pentelhice da criança que vai ao supermercado com a mãe ou não?

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acha que sim. Na linha do que aconteceu com a propaganda de cigarros, agora restrita aos pontos de venda, a Gerência de Fiscalização e Monitoração de Propaganda, Publicidade, Promoção e Informação de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária do órgão goveramental está empenhada em coibir mensagens da indústria de alimentos que possam aumentar os índices de obesidade no Brasil. Os propagandistas acham um absurdo, pois a propaganda, segundo eles, favorece a liberdade e a informação do consumidor. Claro, claro. E eu acredito no coelhinho da Páscoa.

Pois está sendo preparada uma proposta de regulamento para o setor com o intuito de evitar que crianças indefesas - e adultos com senso crítico limitado - comam porcarias por causa do que vêem na TV ou na capa do caderno. Já era tempo. Até agora, as maiores indústrias tiveram toda a liberdade de transformar produtos altamente calóricos e pouco (ou nada) nutritivos em modismos. Tomara que não só proíbam incentivos ao consumo desses produtos via lavagem cerebral televisiva como também obriguem a divulgação em massa do significado da composição nutricional, de uma forma bem clara. Algo como: "A Anvisa adverte: este produto contém aditivos que enganam seus sentidos, muito menos fruta do que parece, o pior tipo de gordura e calorias suficientes para aumentar a sua pança e favorecer a obstrução dos seus vasos sangüíneos. Logo, se você insistir em comprar e se tornar o barrilzinho da turma, o problema será só seu".

12 de mar. de 2006

Iogurte magro, mas de mentira


Um dos livros que tive vontade de adquirir na Bienal foi o “O que Einstein disse a seu cozinheiro”, do químico Robert L. Wolke, volumes 1 e 2. O autor desvenda uma série desses mistérios alimentares que já comecei a questionar aqui. Um trechinho que li chamava atenção para a composição atual dos iogurtes, em especial esses que têm 0% de gordura. Eu bem que já desconfiava que um iogurte sem nata não poderia ser iogurte. Wolke avisa que um produto que tem pectina pode estar mais para gelatina do que para coalhada. Mais não dá pra contar aqui só com o que folheei no estande da Jorge Zahar Editor. Quem quiser que compre (R$44,50). Mais informações no site da editora http://www.zahar.com.br/cat_detalhe.asp?id=0900

Pastelão


Já pretendia meses atrás escrever sobre as praças de alimentação dessas feiras de negócios. Algumas pecam feio pela precariedade, mas até que a Bienal do Livro estava razoável. As opções eram bastantes. Vi Casa do Pão de Queijo, Uno&Due, Kibon, cafés com cara rústica (com bolinhos e tortinhas bem apresentados), pastéis, massas, doces. Eu escolhi um capuccino e um sanduíche de rosbife com tomate seco, cujo pão estava mais seco que o tomate! Nenhum molhinho sequer. Ok, por isso mesmo pouco calórico, mas pão francês seco também não dá! Mas foi assim mesmo, fazer o quê. Sentou-se à minha frente uma moça que trabalhava em algum estande, provalvelmente em seu único intervalo, munida de um pastel que devia ter uns 25 centímetros de comprimento e uma lata de coca-cola. Perguntei, meio irônica, se aquilo tudo era só pra ela, e ela respondeu “pra agüentar até as 10h”. Eram cinco da tarde. Olhei em volta e várias outras pessoas tinham escolhido a mesma combinação. Fritura e refrigerante para alimentar a moça ao longo de cinco horas? Quer dizer, provavelmente mais que isso, pois às 22h acabaria a feira e ela ainda demoraria algum tempo para chegar em casa e poder jantar direito. Ó, células da moça, perdoem-na. Ela não sabe o que faz.

9 de mar. de 2006

Rótulo explicado


O site da Lucilia Diniz (Good Light - grupo Pão de Açúcar) foi mais rápido que o SAC. Assinado por ela (se foi ela mesma quem respondeu eu não sei... mas duvido), um e-mail em resposta ao meu (entrei no site e reforcei o pedido) chegou explicando o que são alguns dos ingredientes mais estranhos dos alimentos industrializados. Segue minha edição do texto:

A gordura hidrogenada é uma gordura vegetal que serve de alternativa à gordura saturada (a do bacon, da lingüiça, da picanha). Emulsificante é um aditivo intencional (ahn?) de origem natural ou sintética, com função de reduzir a tensão interfacial entre duas substâncias imiscíveis (ah tá, entendi: dá liga!). Age como estabilizante da emulsão óleo em água (ex.: sorvete) e água em óleo (ex.: margarina). Também age como complexante do amido em pães, produtos de massa e batata. Já o açúcar invertido é um igrediente utilizado principalmente na fabricação de balas e biscoitos, que consiste em um xarope produzido a partir do açúcar comum, a sacarose. Este é submetido a aquecimento na presença de alguma substância ácida (por exemplo, suco de limão ou ácido acético, que é um ácido presente em diversas frutas e no vinagre). O amido modificado passa por processos físicos e químicos que originam novas propriedades ou corrige características indesejáveis em relação à tecnologia estabelecida.

Sobre a padronização dos cardápios, ela disse que o total de calorias indicadas varia para cada pessoa. Ora, isso eu já sei.

Talvez o Google ajude mais.

2 de mar. de 2006

Capuccino é feito de quê?


Acho divertido ligar para os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) e fazer perguntas que os atendentes não estão preparados para responder. Há pouco me dei conta de que posso fazer isso no próprio supermercado, sem gastar créditos do celular, e sem nem precisar comprar o produto.

Diante da bela seção de capuccinos, mais uma vez as tabelas de composição nutricional não me ajudam muito. As opções, para o deleite de quem aprecia café cremoso, são muitas (sabor laranja, light, com ou sem canela, uma festa!), e comparar (não só os preços) não é tarefa fácil. Cada fabricante decide qual porção vai usar como parâmetro: 40, 30, 16 gramas... Na verdade quem escolhe a quantidade que vai na colher é o consumidor, mas como saber quantas calorias, gorduras, açúcares e outras coisas desconhecidas estão contidas nessas colheradas? Ou melhor: como saber qual marca está apresentando um produto mais interessante para meus objetivos dietéticos, se cada uma usa um parâmetro diferente?

Testei o SAC da linha Good Light. Deram-me um número de protocolo e ficaram de responder depois sobre o significado dos nomes estranhos que aparecem na lista de ingredientes (maltotextrina e gordura hidrogenada eu já sei, mas e aqueles nomes maiores, hein? Só fazendo facultade de nutrição?), mas avisaram que nada dirão sobre como comparar marcas. Ahá! Exijo meu direito de comparar antes de escolher! Perguntei se a alternativa seria levar caderninho e calculadora ao supermercado para fazer regra de três (por enquanto, talvez seja isso mesmo), mas a moça achou melhor não responder.

Aguardemos o contato do grupo Pão de Açúcar. Enquanto isso, vou fazendo mais comparações e atacando mais SACs. Eu quero saber exatamente o que estou ingerindo, SACou?

Será que capuccino de cafeteria também tem aquele monte de aditivos?

Aliás, parece que cada um chama de capuccino o que bem entende, não é? Já me serviram sob esse nome um reles cafezinho com uma borrifada de chocolate em pó e outra de canela. Também já experimentei megacaneca de um leite cremoso, cor bege acinzentada, misturado com café, chocolate e não sei o que mais. Alguns preparam com água (se o pó já contém leite), outros com leite. O tal do Mocaccino, da Nestlé, é parecido com uma mistura que faço em casa, mas mais cremoso.

Outro dia a Casa do Pão de Queijo me ofereceu uma opção que não tive coragem de aceitar. Me deu medo. Era um chocolate gelado batido que incluía um sachê inteiro de um espessante com gosto de baunilha. Espessante feito de quê? O atendente achou que fosse de baunilha... tsc, tsc. "Polpa de baunilha", disse o fulano que pelo jeito não tem o costume de ler rótulos e sai repetindo (errado) o que ouve por aí. E esse negócio será que não faz mal? Na dúvida, recusei.

É isso que estou tentando entender. A indústria vem e põe no mercado um monte de substâncias que a gente não conhece. E a gente vai comprando e comendo sem saber o que é? E só depois que centenas de pessoas adoecem é que começam a fazer pesquisa pra tentar descobrir se aquilo é bom ou ruim? Ah, não! Eu quero saber antes! SACs, me aguardem!

*Gostou deste post? Quer conhecer a composição de outros produtos? Deixe aqui uma mensagem com seu pedido, com seu nome e dados de contato, que eu respondo com um novo post. Seja bem-vindo!