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9 de mar. de 2013

Dez dicas para ficar em forma para sempre



Sim, é um título marketeiro, do tipo que eu evito. Mas hoje vou dar uma de revista feminina e sugerir algumas dicas infalíveis para melhorar a alimentação:


1. Tenha dia e horário certos para ir ao supermercado, sacolão ou feira toda semana. Melhor ir sempre no mesmo dia e horário.

2. Fuce em seus livros de receitas ou na internet, decida o que vai querer comer na semana e faça a lista de compras com base no cardápio (e no orçamento, claro).

3. Se for de carro, tenha sempre caixas e/ou sacolas reforçadas no porta-malas e nunca use as sacolinhas plásticas. Se for a pé ou de ônibus, leve só a sacola reforçada. Se for de bike, melhor que ela tenha um alforje.

1 de dez. de 2011

Uma ideia para restaurantes amigos da dieta

E se quem serve a comida também tomasse conta de como você monta o prato?

Eu e minhas ideias atrevidas. Na fila do bufê do restaurante, bem na minha frente, havia uma moça bastante acima do peso, prestes a pesar o prato. O problema não era a quantidade de comida, mas a composição do prato. Arroz integral, purê de batata, bolinhos fritos e carne vermelha. Cadê os vegetais, amiga? Ei, vocês do restaurante, vão deixar essa menina vir aqui comer errado desse jeito? Ninguém vai fazer nada? Socorro!


17 de ago. de 2011

Disciplina é poder


Obrigar-se a seguir determinadas ordens e abrir mão de certos prazeres não é sacrifício coisa nenhuma – desde que seja em nome de recompensas de maior valor


Quero voltar ao tema das revistas que prometem receitas para “emagrecer sem sacrifício” ou coisa do gênero. Por que reforçar a ideia de que cuidar de si mesmo é sacrifício? Afinal, fazer exercício e comer direito é se cuidar, não é? É assumir para si a responsabilidade de promover o pleno funcionamento do corpo em vez de delegar a quem quer que seja (à indústria de alimentos, às clínicas de estética, aos médicos, aos shakes milagrosos e às próprias revistas) a incumbência de determinar o que cada um deve ou não fazer com as próprias células. Zelar pelo próprio bem-estar não deveria ser encarado como sacrifício. Como obrigação, sim. Mas obrigação e sacrifício não são sinônimos.

23 de jun. de 2011

Concorrentes de mentirinha



Que marca escolher quando as opções pertencem à mesma empresa?


Não tenho o costume de comprar manteiga, mas no último domingo resolvi trazer uma para casa, inspirada pelos ótimos risotos multigrãos com legumes que meu namorado inventa. Não tenho uma marca preferida de manteiga, até porque manteiga costuma ser mais ou menos tudo igual, já que é feita meramente de creme de leite pasteurizado com sal. Pra escolher requeijão, sim, tenho critérios mais precisos, pois os requeijões parecem ser feitos cada vez mais de ingredientes novos.

(No caso do requeijão, vejo principalmente o número de ingredientes e o tempo de prateleira. O número de ingredientes me indica a quantidade de porcarias adicionadas ao que interessa no produto. O ideal é que esse número seja o mais próximo possível de 4, pois creme de leite, fermento lácteo, coalho e sal deveriam ser suficientes para fazer um requeijão decente. O resto é encheção de linguiça pra baratear o custo de fabricação. Já o tempo de prateleira me indica se há ou não excesso de conservantes. Quanto maior a distância entre a data de fabricação e a data de validade, subentendo que será maior a quantidade de conservantes no requeijão. Esses critérios, aliás, me fizeram deixar de ser fiel a uma marca de que eu gostava muito na infância.)

Então, diante das várias opções de manteigas aparentemente iguais no supermercado, parei diante de duas com preço parecido e que estavam lado a lado: Batavo e Elegê. A diferença de preço era de cinco centavos. Olhei os ingredientes: exatamente os mesmos nas duas marcas. E aí reparei num outro dado comum nas duas: o endereço da fábrica. Então as duas manteigas tinham origem na mesma fazenda? Sim. E não só isso. As duas marcas pertencem à mesma empresa e, ao contrário do que me pareceu no primeiro momento, não são concorrentes.

11 de mar. de 2010

Quem mamou no peito é mais saudável?

Estudos sugerem que a alimentação correta nos primeiros meses de vida pode evitar a obesidade


Numa recente reunião de família, uma prima mais velha comentava os conselhos alimentares que ela tinha ouvido da minha mãe décadas atrás, antes de eu existir. Segundo minha prima, aquela que me trouxe ao mundo era, nos anos 70, uma mocinha bonita e muito vaidosa, criada em uma cidadezinha modesta no interior do estado de São Paulo e recém chegada à capital, cheia de discursos sobre alimentação saudável, cuidados naturebas com o cabelo e palpites do gênero. Minha prima, filha da cidade grande, se admirava da suposta sabedoria da namorada do tio dela. Ao ouvir essa história, ri de mim mesma. Não, esta colunista não é obra do acaso. Tive mesmo a quem puxar!

25 de fev. de 2010

A barriga é feita de escolhas diárias

Se a vontade é perder peso, não há lugar para as desculpas

Fazia meses que não via meu pai. Tinha esperado as férias para fazer uma visita com calma, sem a mulher, os netos postiços, os amigos e vizinhos todos que costumam animar as festas e, de tanta alegria, não nos deixam conversar sozinhos nem curtir o silêncio juntos. Ainda não conhecia a casa nova, na nova cidade. Pequena, mas cuidadosamente arrumada. Até demais para um homem que mora sozinho, ousei pensar. Dois quartos, uma sala com cozinha americana, uma geladeira quase atrás da porta, tapetes e toalhinhas muito limpos.

– O que você quer comer? - perguntou.

Iríamos almoçar fora, claro. Aquela cozinha pequena é mais para o café; ele não é de cozinhar. Por causa do horário avançado, coisa de duas e meia da tarde de um sábado, sugeri um restaurante a la carte. Não confio nos bufês depois das duas. Comida velha não vale a pena.

Já sentados à mesa, ele me veio com um assunto repetido.

– Filha, estou com uma barriga que está me incomodando. O que faço para me livrar dela?

19 de nov. de 2009

A matemática das calorias

Um relatório ainda em estágio de rascunho preparado pelo Conselho Científico de Nutrição do Reino Unido sugere que a recomendação diária de ingestão calórica aumente em 16%. Na análise dos conselheiros, 2500 calorias é pouco para pessoas fisicamente ativas, como eles acreditam que são os britânicos. Como era de esperar, o controverso relatório andou desagradando nutricionistas de outros lugares. Um artigo do Examiner.com diz que esse negócio de contar calorias só serve mesmo para a indústria declarar a informação nutricional de seus produtos e nos convencer de que não engordam. Segundo a autora, quem consegue se basear na ingestão calórica diária recomendada (2000 calorias para mulheres e 2500 para homens) são aqueles que consomem produtos industrializados – que normalmente não são os mais saudáveis. Quem tem uma alimentação mais baseada em itens in natura encontrados na feira não leva para casa informação nutricional nenhuma e não tem muita noção de quantas calorias irá comer. O mesmo acontece, diz a articulista, com quem come em restaurantes, já que as estimativas de teor calórico nos cardápios costumam errar em 30% a 40%, segundo ela. Quer dizer, saber qual é o limite saudável de calorias na alimentação não estaria nos ajudando muito.

Mas a questão principal é se a atividade física nos autoriza a comer mais, como afirma o relatório.

Recentemente, a revista Time e o jornal The New York Times publicaram reportagens sobre um suposto mito: que o exercício emagrece. Nas duas matérias, são mencionados estudos segundo os quais, ao contrário do que se acreditava, adotar uma rotina de exercícios físicos não basta para a perda de peso. E aí vinham histórias de pessoas que suavam à beça na sua malhação intensa e continuavam acima do peso. Descobria-se que essas pessoas não estavam emagrecendo porque... continuavam comendo além da conta. Lógico!

Qual é o sentido de sair da academia e meter as caras numa pizza ou numa musse de chocolate? Pois era isso que os entrevistados andavam fazendo. Se o exercício não emagrece, é porque a matemática das calorias sempre pesa mais do lado da comida. Ou seja, se as pessoas realmente prestassem atenção aos números, saberiam que aquela aula de step que deixa a cara vermelha e a roupa ensopada gasta menos calorias do que tem a pizza que iriam comer em seguida.

A regra para emagrecer segue a matemática. É preciso gastar mais do que ingerimos. Tirar mais do estoque e repor menos. Exercício emagrece? Depende do que você come, oras. Qual o melhor exercício para ajudar a emagrecer? Aquele que você faz e não abandona, como eu já disse numa matéria da revista.

Será mesmo que os britânicos ou qualquer outra nação estão se exercitando tanto que precisam comer mais do que 2500 calorias? Pode até ser que as pessoas mais ativas precisem mesmo de uma alimentação mais calórica do que se acreditava. Eu mesma fui orientada por uma nutricionista a comer mais de 3000 calorias diárias, mas essa não é uma recomendação muito comum em tempos de obesidade. A mim parece mais provável que um número crescente de pessoas no mundo inteiro já esteja comendo bem mais do que as 2000 ou 2500 calorias, desobedecendo a recomendação atual, e sem se exercitar o bastante.

A questão que se levanta dessa história toda é se estamos sabendo nos guiar pelas recomendações para calibrar nossa atividade física e nossa alimentação diária conforme o funcionamento do nosso corpo. Se eu comer 2000 calorias e continuar malhando como sempre, eu emagreço. Se o ultramaratonista Dean Karnazes comesse 2500 calorias, jamais seria capaz de correr as centenas de quilômetros das provas mais ousadas. As recomendações que os nutricionistas publicam servem para médias populacionais, não para casos particulares. Cabe a cada pessoa – com ajuda profissional, de preferência – avaliar quanto está gastando e quando deve repor ao seu estoque.

(Orininalmente publicado em www.epoca.com.br)

29 de out. de 2009

Embalagens transparentes?

Qual a diferença entre informação e propaganda? É isso que todos nós precisamos saber ao entrar num supermercado. Nos últimos anos, a quantidade de informação disponível sobre os alimentos tem aumentado, disputando espaço com a propaganda e também se misturando com ela. Palavras como "saudável", "vitaminado" ou "nutritivo", antes rapidamente entendidas como virtudes, passaram a ser lidas e ouvidas com mais senso crítico. O consumidor mais bem informado passou a querer entender melhor o que precisava haver nos produtos para que merecêssem - ou não - adjetivos como esses. Será que é saudável mesmo? Tem vitamina suficiente? E então veio o poder público exigir que os fabricantes dessem ao consumidor um tipo de informação que antes ninguém tinha: a lista completa de ingredientes e a tabela nutricional de seus produtos.

Um conjunto de resoluções e portarias criadas no Ministério da Saúde na última década e fiscalizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária determina quais informações devem aparecer no rótulo de cada tipo de produto alimentício. As informações obrigatórias são as que fazem diferença para a saúde das pessoas, como por exemplo a quantidade de carboidrato num produto que poderá ser perigoso para diabéticos. Outra atribuição da legislação de alimentos tem sido restringir o tipo de mensagem que pode aparecer nas embalagens, a fim de evitar que o consumidor seja enganado ou se confunda. As alegações "saudável", "vitaminado" e "nutritivo" já não podem ser incluídas no rótulo sem mais nem menos. Hoje, por lei, tudo que está escrito nas embalagens deve ser verdade. Agora, há palavras certas a usar e tudo que for alegado deve estar de acordo com a tabela nutricional. E com a legislação.

A boa intenção do governo com essa legislação é que os consumidores tirem sozinhos as suas conclusões ao ler as tabelas nutricionais. Seria bárbaro se todo mundo conseguisse interpretar todos aqueles números e decidisse sua compra com base em um conhecimento adquirido por meio dos rótulos. Acontece que, por mais científica que essa informação hoje disponível possa ser, ela nem sempre nos ajuda mais do que a propaganda a fazer as escolhas certas.

Aconteceu comigo pouco tempo atrás. Tinha parado definitivamente de tomar leite de vaca e precisava obter cálcio de outros alimentos. Meu médico havia sugerido tomar leite de soja enriquecido, pois os comuns não têm cálcio. Então eu procuraria a marca que me oferecesse a maior quantidade de cálcio por porção.

Encontrei poucas opções no mercado. Duas delas, do mesmo fabricante. Comparei as embalagens. Os dois produtos tinham o mesmo nome e algumas diferenças gráficas na embalagem, mas eram ambos leite de soja enriquecido. Comparei as duas tabelas nutricionais. Uma delas dizia haver 300 miligramas de cálcio em cada 30 gramas de produto, o que equivalia a 30% das necessidades diárias. A outra versão dizia haver 241 miligramas de cálcio em cada 26 gramas de produto, o que equivalia a 40% das necessidades diárias.

Espere aí, pensei. Como era possível? Como uma quantidade menor de cálcio poderia equivaler a um percentual maior das minhas necessidades diárias? Havia algo de errado ali, imaginei. Ou aquele rótulo estava mentindo, ou alguma informação estava faltando.

Minha hipótese não era que o fabricante mentira -- mentir seria cara de pau demais em tempos de legislação tão rígida. Minha suspeita era que o produto com 241 miligramas de cálcio na porção de 26 gramas trazia no rótulo uma tabela nutricional baseada numa dieta infantil. Afinal, segundo o que eu já havia apurado no meu trabalho, as crianças precisam de menos cálcio do que os adultos. Só isso poderia justificar que menos significasse mais.

Acontece que na embalagem daquele produto supostamente infantil não havia nada, absolutamente nada, que sugerisse que ele deveria ser consumido por crianças e não adultos. Nem uma frase, nem um desenho, nada.

Sem comprar nenhum dos dois, anotei o telefone do SAC para telefonar depois. E, mais tarde, consegui falar com a nutricionista da empresa, que me tirou a teima. De fato, como eu havia deduzido, o leite de soja com menos cálcio era um produto mais adequado para crianças do que para adultos e por isso a tabela nutricional se referia a uma dieta infantil. Mas então por que não avisam isso no rótulo, poxa vida? O motivo, me explicou ela, é que a legislação nova não exige essa informação.

Há pouco tempo, esse mesmo leite de soja com menos cálcio trazia bonequinhos desenhados perto do logotipo, indicando o público-alvo. Não pode mais. A nova legislação proibiu os fabricantes de apelarem para personagens fofinhos como argumento para vender para as crianças. A intenção era boa. Pretendia-se evitar que crianças inocentes e mal informadas fossem seduzidas por propagandas e alegações falsas e induzidas a consumir alimentos nutricionalmente inadequados. De fato, a sedução indecente de menores precisava mesmo de um freio. Mas nem tudo que sorri na embalagem é propaganda enganosa.

Tudo que é mentira merece ser desmascarado. Tudo que é verdade merece ser escancarado. O problema é não colocarem nada no lugar da propaganda e deixarem lá um buraco, um vazio, uma ausência de informação, numa aposta de que o consumidor vai entender tudo sozinho mesmo sem ter feito faculdade de nutrição, mesmo nem tendo terminado o ensino fundamental. É para criança ou não é? Serve para mim ou não serve? Fica mais fácil entender quando a informação vem numa embalagem mais compreensível. Isso, sim, é honestidade com o consumidor.

(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)

22 de out. de 2009

Como não engordar a criança na festa

Se existe uma coisa que me revolta é ver uma mãe insistindo para a criança pequena tomar refrigerante. Já vi essa cena algumas vezes em restaurantes, em fins de semana. Às vezes a criança nem quer mais, mas a mãe empurra o copo com canudinho até ela sugar tudo até o fim. Com o mesmo afinco com que insiste com a colherada de sopa de legumes ou mais um pedaço de abóbora. Como se fosse nutritivo. Como se fizesse bem para a criança.

Pra quê? Todo mundo sabe que refrigerante é carregado de açúcar, corante e outras substâncias desnecessárias ao nosso organismo. É só ler a embalagem, está tudo escrito lá. Todo mundo sabe que açúcar engorda. Todo mundo sabe que a obesidade infantil é um problema crescente de saúde no Brasil. E bebidas com edulcorantes artificiais não são recomendadas para crianças. Então... pra quê?

Uma pesquisa da GfK sobre o consumo de bebidas não alcoólicas, realizada em julho de 2008 e divulgada esta semana, mostra que os refrigerantes sabor cola são o quinto produto mais ingerido dentre todas as bebidas sem álcool mais consumidas pelo brasileiro. No topo do ranking, segundo a pesquisa, está a água. Sucos naturais de frutas feitos em casa ficaram em oitavo lugar. Em volume de líquidos ingeridos, a pesquisa Liquemetrics mostra que o refrigerante é o segundo maior na média, perdendo apenas para a água. Quando separado por faixas etárias, o consumo de refrigerante aparece em 50% das crianças entre 1 e 5 anos e em 66% das crianças de 6 a 11 anos. O maior consumo de refrigerantes acontece na adolescência: mais de 70%.

O refrigerante parece estar dotado de uma aura de tradição que as pessoas não querem abandonar. Quem já foi a uma festa de aniversário de criança em que não houvesse refrigerante? Soa impensável. Talvez tão impensável quando não dar presentes. Pois ele está lá, com seu lugar garantido ao lado dos também indispensáveis brigadeiros e salgadinhos fritos. As guloseimas gordurosas e açucaradas parecem ter se transformado naquele convidado que não pode faltar, senão a festa fica sem graça. E é justamente nessa associação que eu acho que mora o perigo. Dia especial = diversão = junk food? É isso que estamos ensinando às crianças?


A responsabilidade dos pais é tamanha na formação dos hábitos alimentares dos filhos que, nos Estados Unidos, onde a obesidade afeta um terço da população e não poupa crianças, as autoridades já estão radicalizando. Algumas crianças americanas com obesidade mórbida já foram afastadas de suas famílias em razão da incompetência dos pais em fazê-las perder peso. Na Grã-Bretanha também já houve casos. Um cara chamado Tam Fry, presidente da Fundação Britânica para o Crescimento da Criança, está tentando mudar a legislação para classificar a alimentação exagerada como forma de abuso infantil.

Será mesmo preciso chegar a esse ponto?

Ao dar uma festa de aniversário para os filhos, os pais estão ensinando como comemorar uma passagem da vida, como se divertir, como compartilhar. A criança está crescendo e aprendendo a fazer escolhas. É o momento de ela eleger os brinquedos favoritos, os amigos favoritos e até as comidas favoritas. Todo mundo sabe - porque os especialistas vivem dizendo e porque todos temos memória - que o que a gente gostava de comer quando criança vai influenciar nossos hábitos alimentares na vida adulta. Então por que não aproveitar a festa para oferecer oportunidades de escolhas que façam bem à criança? Não será mais interessante ela tomar como favoritas as escolhas mais saudáveis?

Consultei a chef Fernada Sayeg, dona do bufê Snob Food, que faz comida chique para adultos e crianças. Ela acredita que as festas saudáveis sejam uma tendência, embora estejam acontecendo mais nas famílias ricas, por enquanto. Fernanda diz que nessas festas mais requintadas as opções são mais variadas. Quem não quer os salgadinhos de sempre pode aguardar que o garçom traga os quitutes mais nutritivos. E ela diz que não é difícil conseguir que a criançada avance na ala saudável do cardápio. Quando a comida é bem feita, gostosa e bem apresentada, com enfeitinhos coloridos, o sucesso é total.

A meu pedido, Fernanda fez uma lista das comidinhas bacanas que podem encantar as crianças e nutri-las ao mesmo tempo entre uma brincadeira e outra. Entre elas:

- bastões de cenoura com molhinho de queijo
- batatinha de carinha assada
- espetinho de tomate cereja com mussarela de búfala
- gelatina
- papinha de manga
- pamonha
- espetinho de morango com calda de chocolate
- saladinha de frutas
- sopinhas frias ou quentes
- sanduichinho de frango desfiado com cenoura e maionese
- milho cozido...

A mim parece perfeitamente possível organizar uma festa infantil bonita, divertidíssima e saudável, que as crianças adorem do mesmo jeito. As nossas lembranças de infância certamente ajudarão nesse projeto. Ou as receitas da vovó. Ou as receitas da internet mesmo. Eu acrescentaria à lista da Fernanda o que eu gostava de comer nas férias enquanto assistia à sessão da tarde: canjica, pinhão, pipoca, bolo de banana e outras delícias caseiras. Quanto ao refigerante, embora ele estivesse também presente nas minhas festas de aniversário, eu preferiria, hoje, substituí-lo por bebidas saudáveis e talvez ainda mais refrescantes, como sucos naturais de frutas de cor bem bonita. Entre minhas preferidas está o suco de erva cidreira com limão, que conheci num evento escolar. É preciso encontrar um maço da erva com folhas bem verdes, de preferência colhidas no dia, batê-las no liquidificador com água e limão e reservar na geladeira. Fica lindo e delicioso. Gosto também de chá mate gelado feito em casa. Esse é mais fácil: basta comprar o chá solto, sem ser em forma de sachês, preparar com água quente e pôr pra gelar. Sem muito açúcar, por favor.

As crianças são capazes de gostar de muitas coisas. E a primeira coisa a fazer para elas ampliarem seu repertório alimentar é oferecer tudo que há de bom. Assim, aumentam as chances de elas fazerem associações do tipo comida saudável = gostoso = especial.

(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)