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22 de fev. de 2013

As marcas que mais (des)respeitam o consumidor


Quando eu vi na revista Consumidor Moderno deste mês os resultados da décima edição da pesquisa "As empresas que mais respeitam o consumidor no Brasil", fiquei um tanto chocada. Gente, eu acho que o brasileiro está com a autoestima baixa. Por muito pouco as pessoas se sentem respeitadas!

Veja só: Coca-Cola e Nestlé há anos estão entre as marcas mais citadas no quesito respeito nas pesquisas da Shopper Experience. Quer dizer então que a Coca-Cola respeita o consumidor... Sei. Mas o que é "respeito" na cabeça de quem respondeu a pesquisa?

1 de mai. de 2012

Discutir nutrição é bem mais que contar calorias e nutrientes

Profissionais das áreas de humanas são mais importantes nesse desafio do que se costuma pensar


Era domingo à noite, e o Rio Cenarium estava lotado, para variar. A enorme e famosa casa de samba do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, estava sendo ocupada por dezenas de pessoas de tudo que é cor, etnia e idioma. Pesquisadores engajados, acadêmicos ilustres e estudantes, principalmente de nutrição, mas também da antropologia, sociologia, medicina e até jornalismo (eu estava lá, oras!), partiram da penúltima plenária do World Nutrition Rio 2012 direto para a confraternização, regada a muita caipirinha, bolinhos de bacalhau e mandioca frita com carne seca.

Aquela gente que falava inglês, francês, espanhol, português e outras línguas estava toda lá, misturada, curtindo o mesmo som no mesmo ambiente. E cheia de vontade de se conhecer, trocar ideias, conhecimentos, ideais e cartões.

Numa das minhas várias passeadas espremidas pelos três andares da casa, um chileno que eu havia conhecido num grupo de trabalho me parou. Era Claudio Schuftan, do People's Health Movement, uma rede internacional de ativistas que atuam em prol da saúde pública. Ele queria saber mais sobre essa minha intenção de fazer jornalismo investigativo na área da saúde, o que lhe parecia muito bem-vindo, pois faltava mesmo algo desse tipo no setor.

21 de set. de 2011

A mesma comida, 6 interesses distintos


De acordo com pesquisas de mercado, os consumidores de alimentos saudáveis não estão todos em busca do mesmo benefício


Agora entendi por que meu namorado não se tornou tão natureba quanto eu, mesmo depois de ter se convertido ao consumo mais frequente de saladas, arroz integral e granola, sob minha influência. É que, de acordo com os seis perfis de consumidores indentificados nas pesquisas da Health Focus International, eu sou uma discípula, e ele é um investidor. 

23 de jun. de 2011

Concorrentes de mentirinha



Que marca escolher quando as opções pertencem à mesma empresa?


Não tenho o costume de comprar manteiga, mas no último domingo resolvi trazer uma para casa, inspirada pelos ótimos risotos multigrãos com legumes que meu namorado inventa. Não tenho uma marca preferida de manteiga, até porque manteiga costuma ser mais ou menos tudo igual, já que é feita meramente de creme de leite pasteurizado com sal. Pra escolher requeijão, sim, tenho critérios mais precisos, pois os requeijões parecem ser feitos cada vez mais de ingredientes novos.

(No caso do requeijão, vejo principalmente o número de ingredientes e o tempo de prateleira. O número de ingredientes me indica a quantidade de porcarias adicionadas ao que interessa no produto. O ideal é que esse número seja o mais próximo possível de 4, pois creme de leite, fermento lácteo, coalho e sal deveriam ser suficientes para fazer um requeijão decente. O resto é encheção de linguiça pra baratear o custo de fabricação. Já o tempo de prateleira me indica se há ou não excesso de conservantes. Quanto maior a distância entre a data de fabricação e a data de validade, subentendo que será maior a quantidade de conservantes no requeijão. Esses critérios, aliás, me fizeram deixar de ser fiel a uma marca de que eu gostava muito na infância.)

Então, diante das várias opções de manteigas aparentemente iguais no supermercado, parei diante de duas com preço parecido e que estavam lado a lado: Batavo e Elegê. A diferença de preço era de cinco centavos. Olhei os ingredientes: exatamente os mesmos nas duas marcas. E aí reparei num outro dado comum nas duas: o endereço da fábrica. Então as duas manteigas tinham origem na mesma fazenda? Sim. E não só isso. As duas marcas pertencem à mesma empresa e, ao contrário do que me pareceu no primeiro momento, não são concorrentes.

8 de jun. de 2011

Troco minha pirâmide por um prato feito... em casa



E então, depois de duas décadas de tentativas, o governo americano desistiu de usar o símbolo da pirâmide alimentar para orientar a dieta da população. E o substituiu por uma figura mais simples, mais fácil de entender, acreditando que, agora sim, os obesos americanos vão conseguir encher um prato de comida sem errar. O recado parece ser mais ou menos o seguinte: ‘tá bom, a gente admite que não estava orientando vocês coisa nenhuma, e que passamos os últimos vinte anos tentando conciliar os interesses da agroindústria com nossa obrigação de zelar pela saúde pública. Não deu certo. Desculpem. Agora tentem se virar sozinhos com esse desenho novo’.



12 de mai. de 2011

Liberdade de escolha?

Não se iluda. Quem decide o que você vai comprar é o mercado


Esta semana, quatro pavilhões da Expo Center Norte estão ocupados pela feira da Apas (Associação Paulista de Supermercados). A feira é gigante, e está lotada de homens de terno e gravata querendo fazer negócios. Todas as grandes marcas de produtos vendidos em supermercados estão lá, expondo novidades. Há também empresas que fornecem sistemas e outras soluções para o varejo. Até bancos participam da feira. Acho que nunca vi tanto poder reunido num lugar só. Paralelamente à feira, há palestras com brasileiros e estrangeiros, entre eles o Ronaldo Fenômeno. Tudo na intenção de tornar o varejo ainda mais bem-sucedido.

Segundo uma palestrante que falou na terça, os supermercados estão ficando tão poderosos quanto as marcas dos produtos que eles vendem. Na análise da americana Natalie Berg, diretora de pesquisa da Natalie Berg Global, quando as lojas eram pequenas e locais, funcionavam como caixas onde os produtos das grandes marcas eram expostos ao consumidor final. Ou seja, não tinham muita importância na escolha dos consumidores. Hoje, num mercado dominado por grandes redes varejistas (Wal Mart, Carrefour, Pão de Açúcar), o varejo pode até decidir não vender mais uma determinada marca, se achar que ela não está de acordo com os seus valores.

14 de abr. de 2011

Digite o nome do produto e descubra se ele presta

Como o GoodGuide, um serviço gratuito de comparação de produtos, pretende forçar os fabricantes a ser mais transparentes com os consumidores


Esta semana conversei com o pessoal do GoodGuide, um site americano que avalia e compara, gratuitamente, três aspectos da qualidade dos produtos que normalmente o consumidor não consegue avaliar sozinho. Eles avaliam os mais diversos tipos de produtos, de biscoitos a desinfetantes, passando por papinhas de bebê. A partir das informações na embalagem e de algumas pesquisas feitas por terceiros, eles pontuam em que medida cada produto afeta nossa saúde, o meio ambiente e o bem-estar social.

Para saber o que o sistema “pensa” de um produto, basta digitar o nome desse produto no campo de busca do site, ou mesmo no Google. Ou então procurá-lo dentro de sua categoria num dos menus da página inicial. Se o produto estiver cadastrado no GoodGuide, a foto dele aparecerá ao lado de três notas, que correspondem a quão bom ou quão ruim ele é nesses três aspectos que mencionei acima. No caso dos alimentos, ele dá as notas mais altas aos itens mais saudáveis e discrimina os alimentos inegavelmente piores para a saúde. O sistema também faz comparações ótimas dentro de cada categoria de produto e fornece listas do tipo “as piores opções para o café da manhã”, que é para não ter dúvida, por exemplo, de que tipo de pedido do seu filho você deveria recusar prontamente.