Será que a higiene, os livros e a tecnologia educam mais que a mais rústica das liberdades?
A convite da distribuidora, assisti ao documentário “Bebês”, que
ainda não estreou nos cinemas. O filme do francês Thomas Balmès mostra
cenas engraçadas e emocionantes do primeiro ano de vida de quatro bebês
que vivem em realidades contrastantes. O primeiro bebê apresentado é uma
menina que vive nua e cheia de terra numa aldeia perto da Namíbia, no
Sul da África. Em seguida conhecemos um menino da Mongólia, que é levado
de moto da maternidade para a chácara em que vai morar. Logo vem um
bebê de Tóquio, que não demora a conhecer o computador, o celular e a
rotina de trabalho do pai. E, por último, aparece uma loirinha de olhos
azuis muito bem nascida em São Francisco, nos Estados Unidos, que vai
crescer rodeada de livros, brinquedos e shopping centers.
Com
pouquíssimas falas (até porque os personagens principais apenas
balbuciam sons ainda incompreensíveis) e nenhuma narração, as cenas
gravadas nesses quatro cantos do mundo, intercaladas conforme o passar
dos meses, nos conduzem a comparar, com espanto, de que forma a
felicidade estampada no rosto das crianças é influenciada pelo meio em
que vivem.