Render-se aos hábitos que aliviam aflições ou buscar prazeres mais saudáveis e duradouros?
Uma das coisas que eu menos entendo sobre as pessoas são seus vícios. Perceba que escrevo na terceira pessoa. Nunca me pareceu que eu tivesse um. Quer dizer... É verdade que já me vi precisando comer um chocolate, sem conseguir que a vontade passasse. Mas não me preocupa minha necessidade de chocolate porque sempre me safisfaço com pouco. OK, há exceções. O bolo de aniversário do meu primo mais novo no ano passado estava tão bom, mas tão bom, que eu não resisti a comer alguns pedaços...
Mas daí a não passar um dia sem comer doce ou tomar refrigerante eu acho que há uma boa diferença. Conheço gente que anda para cima e para baixo com uma garrafa de dois litros de coca-cola, quase como um fumante que tem seu maço de cigarros sempre à mão. Não consigo entender o que torna as pessoas assim tão dependentes de qualquer coisa que não seja fisiológica. Será meramente o prazer? Mas que prazer é esse que traz tantas consequências nefastas?
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30 de jan. de 2012
24 de jan. de 2012
Quem você quer (mesmo) ser quando crescer?
Só mesmo com a pureza de uma criança para conseguir responder rápido a pergunta mais difícil de todos os tempos
Caramba, quando eu poderia imaginar que seria tão penoso descobrir quem eu quero ser quando crescer? Quando me perguntavam isso na infância, parecia tão fácil responder. Bastava examinar rapidamente as opções disponíveis (bailarina, palhaça, médica... eram poucas as que eu conhecia naquela época) e escolher a que me parecesse mais divertida. Parece que, à medida que fui crescendo, a resposta foi ficando mais difícil, talvez porque as opções foram se mostrando pouco divertidas ou totalmente desconhecidas.
Caramba, quando eu poderia imaginar que seria tão penoso descobrir quem eu quero ser quando crescer? Quando me perguntavam isso na infância, parecia tão fácil responder. Bastava examinar rapidamente as opções disponíveis (bailarina, palhaça, médica... eram poucas as que eu conhecia naquela época) e escolher a que me parecesse mais divertida. Parece que, à medida que fui crescendo, a resposta foi ficando mais difícil, talvez porque as opções foram se mostrando pouco divertidas ou totalmente desconhecidas.
29 de nov. de 2011
Equilibrando os papéis
Talvez a segurança não esteja no chão firme, mas em acrobacias e malabarismos acertados
Estou experimentando um novo nome para este
blog. O nome antigo fez sentido por alguns anos, mas minha vida está mudando, me
ensinando novas lições, me trazendo novas crenças, e tornou-se necessário rever
algumas posições.
17 de ago. de 2011
Disciplina é poder
Obrigar-se a
seguir determinadas ordens e abrir mão de certos prazeres não é sacrifício
coisa nenhuma – desde que seja em nome de recompensas de maior valor
Quero
voltar ao tema das revistas que prometem receitas para “emagrecer sem sacrifício”
ou coisa do gênero. Por que reforçar a ideia de que cuidar de si mesmo é
sacrifício? Afinal, fazer exercício e comer direito é se cuidar, não é? É
assumir para si a responsabilidade de promover o pleno funcionamento do corpo
em vez de delegar a quem quer que seja (à indústria de alimentos, às clínicas
de estética, aos médicos, aos shakes milagrosos e às próprias revistas) a
incumbência de determinar o que cada um deve ou não fazer com as próprias células.
Zelar pelo próprio bem-estar não deveria ser encarado como sacrifício. Como
obrigação, sim. Mas obrigação e sacrifício não são sinônimos.
19 de mai. de 2011
O dia em que me assumi
O corpo fala o tempo todo. E ele diz a verdade
Quando abri os olhos, estava mais madura. Não sei se de fato estava, mas assim me sentia. Tinha sido uma experiência um pouco estranha. Sensações variadas no meu corpo eram acompanhadas de movimentos involuntários e mudanças de humor que, segundo o mentor, estavam me conduzindo à resposta que eu buscava. Estive consciente o tempo todo, mas não vi o tempo passar.
A proposta era conversar com meu inconsciente. Eu faria a ele as perguntas ditadas pelo mentor, em voz alta, e meu inconsciente me responderia por meio de sensações, ideias, dores ou mensagens que eu tentaria captar. Não sabia exatamente no que estava me metendo. Não tinha muita ideia de quem era aquele cara, nem tinha informação sobre a validade de sua técnica. Só aceitei o convite de conhecer seu trabalho.
De pé e olhos fechados, eu repetia as perguntas e observava minhas sensações. Várias vezes, nada senti. Apenas via aquele brilho da luz entrando parcialmente por entre minhas pálpebras. Mas justamente elas, as pálpebras, foram as primeiras a parecer que queriam me dizer alguma coisa. Tremeram logo que as cerrei. E em seguida vieram lágrimas escorrer entre elas. Por quê? Não sabia dizer. Mas aquela luz vaga e amarelada na minha frente parecia crescer, como se eu me aproximasse do sol. Aí a luz ficou branca. Talvez fossem apenas minhas pálpebras se abrindo e deixando a luz forte das lâmpadas entrar. Não interrompi. Deixei que as sensações me conduzissem.
Quando abri os olhos, estava mais madura. Não sei se de fato estava, mas assim me sentia. Tinha sido uma experiência um pouco estranha. Sensações variadas no meu corpo eram acompanhadas de movimentos involuntários e mudanças de humor que, segundo o mentor, estavam me conduzindo à resposta que eu buscava. Estive consciente o tempo todo, mas não vi o tempo passar.
A proposta era conversar com meu inconsciente. Eu faria a ele as perguntas ditadas pelo mentor, em voz alta, e meu inconsciente me responderia por meio de sensações, ideias, dores ou mensagens que eu tentaria captar. Não sabia exatamente no que estava me metendo. Não tinha muita ideia de quem era aquele cara, nem tinha informação sobre a validade de sua técnica. Só aceitei o convite de conhecer seu trabalho.
De pé e olhos fechados, eu repetia as perguntas e observava minhas sensações. Várias vezes, nada senti. Apenas via aquele brilho da luz entrando parcialmente por entre minhas pálpebras. Mas justamente elas, as pálpebras, foram as primeiras a parecer que queriam me dizer alguma coisa. Tremeram logo que as cerrei. E em seguida vieram lágrimas escorrer entre elas. Por quê? Não sabia dizer. Mas aquela luz vaga e amarelada na minha frente parecia crescer, como se eu me aproximasse do sol. Aí a luz ficou branca. Talvez fossem apenas minhas pálpebras se abrindo e deixando a luz forte das lâmpadas entrar. Não interrompi. Deixei que as sensações me conduzissem.
21 de abr. de 2011
O preço da autoestima
Sucesso bom é aquele que a gente deseja de verdade
Tenho a impressão de que a vida inteira eu estive em busca não exatamente da felicidade, mas da autoestima. Talvez as duas coisas coincidam em muitos momentos. Ficamos felizes quando nos sentimos capazes de realizar coisas, quando recebemos elogios, quando conquistamos reconhecimento pelo que somos e fazemos. E, principalmente, quando somos queridos. Precisamos que gostem de nós.
Tenho a impressão de que a vida inteira eu estive em busca não exatamente da felicidade, mas da autoestima. Talvez as duas coisas coincidam em muitos momentos. Ficamos felizes quando nos sentimos capazes de realizar coisas, quando recebemos elogios, quando conquistamos reconhecimento pelo que somos e fazemos. E, principalmente, quando somos queridos. Precisamos que gostem de nós.
7 de abr. de 2011
Por uma vida menos artificial
Será que a higiene, os livros e a tecnologia educam mais que a mais rústica das liberdades?
A convite da distribuidora, assisti ao documentário “Bebês”, que ainda não estreou nos cinemas. O filme do francês Thomas Balmès mostra cenas engraçadas e emocionantes do primeiro ano de vida de quatro bebês que vivem em realidades contrastantes. O primeiro bebê apresentado é uma menina que vive nua e cheia de terra numa aldeia perto da Namíbia, no Sul da África. Em seguida conhecemos um menino da Mongólia, que é levado de moto da maternidade para a chácara em que vai morar. Logo vem um bebê de Tóquio, que não demora a conhecer o computador, o celular e a rotina de trabalho do pai. E, por último, aparece uma loirinha de olhos azuis muito bem nascida em São Francisco, nos Estados Unidos, que vai crescer rodeada de livros, brinquedos e shopping centers.
Com pouquíssimas falas (até porque os personagens principais apenas balbuciam sons ainda incompreensíveis) e nenhuma narração, as cenas gravadas nesses quatro cantos do mundo, intercaladas conforme o passar dos meses, nos conduzem a comparar, com espanto, de que forma a felicidade estampada no rosto das crianças é influenciada pelo meio em que vivem.
A convite da distribuidora, assisti ao documentário “Bebês”, que ainda não estreou nos cinemas. O filme do francês Thomas Balmès mostra cenas engraçadas e emocionantes do primeiro ano de vida de quatro bebês que vivem em realidades contrastantes. O primeiro bebê apresentado é uma menina que vive nua e cheia de terra numa aldeia perto da Namíbia, no Sul da África. Em seguida conhecemos um menino da Mongólia, que é levado de moto da maternidade para a chácara em que vai morar. Logo vem um bebê de Tóquio, que não demora a conhecer o computador, o celular e a rotina de trabalho do pai. E, por último, aparece uma loirinha de olhos azuis muito bem nascida em São Francisco, nos Estados Unidos, que vai crescer rodeada de livros, brinquedos e shopping centers.
Com pouquíssimas falas (até porque os personagens principais apenas balbuciam sons ainda incompreensíveis) e nenhuma narração, as cenas gravadas nesses quatro cantos do mundo, intercaladas conforme o passar dos meses, nos conduzem a comparar, com espanto, de que forma a felicidade estampada no rosto das crianças é influenciada pelo meio em que vivem.
7 de jan. de 2010
Negociar é preciso
Na relação com amores, familiares e chefes, o lugar da atividade física deve estar garantido
A maioria das pessoas que ainda não adotaram uma prática regular de exercícios provavelmente conhece bem o conjunto de obstáculos ao cumprimento dessa meta. A principal é a falta de tempo. Afinal, a gente trabalha o dia todo, perde tempo no trânsito (ao menos nas grandes cidades), tem de passar no supermercado, preparar o jantar, dar banho nas crianças, assistir ao jornal, dar atenção ao cônjuge... Ou então estudar, encontrar os amigos no happy hour, sair com o namorado (ou a namorada), levar o cachorro para passear... Quando é que sobra tempo para o exercício, não é mesmo?
A questão é que não deve mesmo sobrar tempo para o exercício. Se a gente não reserva e protege um tempo sagrado para ele, restará ao nosso corpo sempre o último lugar entre nossas prioridades. Prioridades?
A maioria das pessoas que ainda não adotaram uma prática regular de exercícios provavelmente conhece bem o conjunto de obstáculos ao cumprimento dessa meta. A principal é a falta de tempo. Afinal, a gente trabalha o dia todo, perde tempo no trânsito (ao menos nas grandes cidades), tem de passar no supermercado, preparar o jantar, dar banho nas crianças, assistir ao jornal, dar atenção ao cônjuge... Ou então estudar, encontrar os amigos no happy hour, sair com o namorado (ou a namorada), levar o cachorro para passear... Quando é que sobra tempo para o exercício, não é mesmo?
A questão é que não deve mesmo sobrar tempo para o exercício. Se a gente não reserva e protege um tempo sagrado para ele, restará ao nosso corpo sempre o último lugar entre nossas prioridades. Prioridades?
26 de nov. de 2009
Alongar quanto, e pra quê?
Uma vez fui experimentar uma nova aula de
ioga e acabei arrumando uma briga com o professor. Eu era novata ali,
mas não exatamente inexperiente na modalidade. Já estava razoavelmente
acostumada a seguir as cuidadosas instruções dos professores, quase
sempre suaves e tranquilos, e por isso estranhei quando ele mandou
sentar com as pernas posicionadas de um jeito estranho (estranho para
mim, pelo menos) e encostar o ombro no joelho. “Professor, não entendi.
Qual é o objetivo desse movimento? Não estou sentindo alongar nada.” Por
algum motivo, ele não gostou da pergunta, se indispôs comigo e acabou
não me tirando a dúvida. A briga depois foi resolvida e perdoada, mas a
explicação do movimento eu nunca recebi.
Fazer exercício de alongamento sem saber o que precisa ser alongado não faz sentido. A coisa mais importante nesse tipo de atividade é justamente a atenção que se deve dar a cada parte do corpo. Se o objetivo de um movimento é, por exemplo, alongar a musculatura posterior da coxa, por que o professor diria que o aluno deve procurar encostar os dedos das mãos na ponta dos pés? Por que focar nas mãos e nos pés se a intenção é trabalhar a coxa? Essa forma de aula era comum há alguns anos, mas hoje os profissionais mais atualizados ensinam alongamento de outro jeito.
Fazer exercício de alongamento sem saber o que precisa ser alongado não faz sentido. A coisa mais importante nesse tipo de atividade é justamente a atenção que se deve dar a cada parte do corpo. Se o objetivo de um movimento é, por exemplo, alongar a musculatura posterior da coxa, por que o professor diria que o aluno deve procurar encostar os dedos das mãos na ponta dos pés? Por que focar nas mãos e nos pés se a intenção é trabalhar a coxa? Essa forma de aula era comum há alguns anos, mas hoje os profissionais mais atualizados ensinam alongamento de outro jeito.
26 de ago. de 2009
Como chegar incrível à terceira idade
Já faz alguns anos que eu decidi que faria
exercícios para sempre, qualquer que seja o exercício que eu aguente
fazer depois de velhinha. Inventei que chegarei pelo menos aos 50 com
uma forma física a mais parecida possível com a que eu tinha aos 30. Eu e
minhas neuras. Na avaliação física que fiz há cerca de dois meses,
porém, temi que a decadência já tivesse começado. Pensei em investigar
de que forma o exercício pode atrasar os efeitos do envelhecimento ao
longo da vida e quais os melhores resultados que a gente pode obter até
depois dos 70 anos.
Aí me lembrei do Abílio Diniz. O grande homem do Grupo Pão de Açúcar está com 72 anos e exibe um corpão de... nem sei mais que idade aqueles músculos parecem ter. Ele corre, pedala, joga squash e faz um treinamento na academia da empresa. Como é que ele pode estar tão bem depois dos 70 e eu estar tão preocupada com o meu desempenho antes dos 40?
Logo no começo das minhas investigações, encontrei gente dizendo que existem duas coisas muito boas para ficar com o corpo tinindo de bom depois que os cabelos embranquecem. Ou melhor, três. A primeira era mesmo jamais parar de se exercitar. OK, essa eu já sabia. A segunda era escolher exercícios de força e com impacto, para fortalecer os ossos e nos manter protegidos da osteoporose. Claro, sempre preparando a musculatura antes e na medida do esforço. E a terceira era estar sempre aprendendo alguma coisa nova.
Opa! Foi aí que eu arregalei os olhos. Então não bastaria eu puxar ferro pesado pelo resto da vida. Eu teria de renovar minhas atividades de tempos em tempos para gerar novos estímulos ao meu corpo. Curioso.
Fui puxar conversa com o treinador do Abílio, o Irineu Loturco Filho. Ele me disse que o envelhecimento traz naturalmente perda de força, de resistência, de flexibilidade, de velocidade, de agilidade e de coordenação. Ainda não se sabe bem em que medida o estilo de vida favorece essas perdas, mas há evidências de que é possível adiá-las com um treinamento físico apropriado. E precoce. Quanto mais cedo a gente começa, maior a chance de prolongar essas capacidades motoras.
O Abílio Diniz é um cara que, mais do que eu, se preocupa em envelhecer superbem. Quando ele chamou o Irineu para trabalhar com ele, queria uma rotina de exercícios que o ajudasse a cuidar da saúde e manter um alto grau de desempenho a vida toda. E adotou um programa que, além do treinamento convencional de força (o que eu faço há anos), envolve rapidez, impacto, potência muscular e coordenação. Entre as técnicas diferentes que ele usa estão os chamados exercícios pliométricos de intensidade baixa e moderada (os de alta intensidade são mais usados com atletas). São movimentos mais explosivos, com mais velocidade e potência (em contraste com os da musculação tradicional, que são mais lentos).
Um bom exemplo é o salto vertical. Após uma breve flexão dos joelhos, você estende rapidamente as pernas, empurrando o chão com a ponta dos pés, com a intenção de pular o mais alto que puder. Até parece fácil. Mas, se você não joga vôlei ou basquete, tente e perceba que não é. Segundo o Irineu, os exercícios pliométricos exigem um alto grau de coordenação motora e provocam profundas adaptações no sistema nervoso central e nos grupos musculares. Não só os pliométricos, aliás. Esse tipo de adaptação é o produto de uma enorme gama de exercícios neuromusculares. Eles ensinam músculos e tendões a usarem melhor a energia elástica e economizarem energia nos movimentos. Com isso, diz o Irineu, o aparelho locomotor fica mais protegido.
Com essas adaptações, o corpo desenvolve uma força que pode ser manifestada rapidamente. Na corrida, por exemplo, o pé vai precisar de menos tempo em contato com o chão para impulsionar a perna a cada passada. A vantagem é que o corpo passa a usar menos energia para realizar o mesmo esforço de antes em atividades que exijam velocidade. Fica mais eficiente. Então emagrece menos? Não se você for inteligente e correr mais rápido, aproveitando sua nova condição neuromuscular.
E isso não é coisa para atleta?
Era.
Na academia do Pão de Açúcar, freqüentada pelos funcionários da empresa e pelo próprio Abílio, a técnica tem sido usada também por gente comum que quer explorar mais suas capacidades motoras enquanto é tempo. O Irineu, além de consultor técnico da academia, vem estudando tudo isso dentro do seu programa de doutorado, em Sevilha, na Espanha. Ele defende esse tipo de exercício para manter a saúde do sistema nervoso, do sistema muscular e do tecido ósseo, além de melhorar o desempenho esportivo em diversas modalidades.
Ele acredita tanto nas vantagens do treinamento neuromuscular para não-atletas que me convidou para experimentar. E verificar, depois de quatro semanas, se o treinamento fez diferença nos meus passeios de bicicleta, na minha corridinha de meia hora e nas minhas recém- retomadas aulas de circo.
É claro que eu topei.
Para medir a diferença entre meu desempenho antes e depois das 12 sessões de treino, na última segunda-feira fiz alguns testes de velocidade, potência, impulsão e força. Também passei pela nutricionista Patrícia Campos, que tirou minhas medidas e me passou uma dieta com a finalidade de não me deixar emagrecer (vocês vão me desculpar, mas eu nasci magricela e tenho facilidade para perder peso, não para ganhar). E, com sorte, favorecer o ganho de massa muscular.
A expectativa é que meu corpo fique mais esperto e mais prevenido contra o envelhecimento. Embora eu ainda seja razoavelmente jovem, sei que a gente começa a envelhecer antes dos 30, e eu não quero esperar "a idade" chegar para tomar as providências.
A sorte está lançada. Vocês, leitores, poderão acompanhar nesta coluna os resultados desse experimento.
(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)
Aí me lembrei do Abílio Diniz. O grande homem do Grupo Pão de Açúcar está com 72 anos e exibe um corpão de... nem sei mais que idade aqueles músculos parecem ter. Ele corre, pedala, joga squash e faz um treinamento na academia da empresa. Como é que ele pode estar tão bem depois dos 70 e eu estar tão preocupada com o meu desempenho antes dos 40?
Logo no começo das minhas investigações, encontrei gente dizendo que existem duas coisas muito boas para ficar com o corpo tinindo de bom depois que os cabelos embranquecem. Ou melhor, três. A primeira era mesmo jamais parar de se exercitar. OK, essa eu já sabia. A segunda era escolher exercícios de força e com impacto, para fortalecer os ossos e nos manter protegidos da osteoporose. Claro, sempre preparando a musculatura antes e na medida do esforço. E a terceira era estar sempre aprendendo alguma coisa nova.
Opa! Foi aí que eu arregalei os olhos. Então não bastaria eu puxar ferro pesado pelo resto da vida. Eu teria de renovar minhas atividades de tempos em tempos para gerar novos estímulos ao meu corpo. Curioso.
Fui puxar conversa com o treinador do Abílio, o Irineu Loturco Filho. Ele me disse que o envelhecimento traz naturalmente perda de força, de resistência, de flexibilidade, de velocidade, de agilidade e de coordenação. Ainda não se sabe bem em que medida o estilo de vida favorece essas perdas, mas há evidências de que é possível adiá-las com um treinamento físico apropriado. E precoce. Quanto mais cedo a gente começa, maior a chance de prolongar essas capacidades motoras.
O Abílio Diniz é um cara que, mais do que eu, se preocupa em envelhecer superbem. Quando ele chamou o Irineu para trabalhar com ele, queria uma rotina de exercícios que o ajudasse a cuidar da saúde e manter um alto grau de desempenho a vida toda. E adotou um programa que, além do treinamento convencional de força (o que eu faço há anos), envolve rapidez, impacto, potência muscular e coordenação. Entre as técnicas diferentes que ele usa estão os chamados exercícios pliométricos de intensidade baixa e moderada (os de alta intensidade são mais usados com atletas). São movimentos mais explosivos, com mais velocidade e potência (em contraste com os da musculação tradicional, que são mais lentos).
Um bom exemplo é o salto vertical. Após uma breve flexão dos joelhos, você estende rapidamente as pernas, empurrando o chão com a ponta dos pés, com a intenção de pular o mais alto que puder. Até parece fácil. Mas, se você não joga vôlei ou basquete, tente e perceba que não é. Segundo o Irineu, os exercícios pliométricos exigem um alto grau de coordenação motora e provocam profundas adaptações no sistema nervoso central e nos grupos musculares. Não só os pliométricos, aliás. Esse tipo de adaptação é o produto de uma enorme gama de exercícios neuromusculares. Eles ensinam músculos e tendões a usarem melhor a energia elástica e economizarem energia nos movimentos. Com isso, diz o Irineu, o aparelho locomotor fica mais protegido.
Com essas adaptações, o corpo desenvolve uma força que pode ser manifestada rapidamente. Na corrida, por exemplo, o pé vai precisar de menos tempo em contato com o chão para impulsionar a perna a cada passada. A vantagem é que o corpo passa a usar menos energia para realizar o mesmo esforço de antes em atividades que exijam velocidade. Fica mais eficiente. Então emagrece menos? Não se você for inteligente e correr mais rápido, aproveitando sua nova condição neuromuscular.
E isso não é coisa para atleta?
Era.
Na academia do Pão de Açúcar, freqüentada pelos funcionários da empresa e pelo próprio Abílio, a técnica tem sido usada também por gente comum que quer explorar mais suas capacidades motoras enquanto é tempo. O Irineu, além de consultor técnico da academia, vem estudando tudo isso dentro do seu programa de doutorado, em Sevilha, na Espanha. Ele defende esse tipo de exercício para manter a saúde do sistema nervoso, do sistema muscular e do tecido ósseo, além de melhorar o desempenho esportivo em diversas modalidades.
Ele acredita tanto nas vantagens do treinamento neuromuscular para não-atletas que me convidou para experimentar. E verificar, depois de quatro semanas, se o treinamento fez diferença nos meus passeios de bicicleta, na minha corridinha de meia hora e nas minhas recém- retomadas aulas de circo.
É claro que eu topei.
Para medir a diferença entre meu desempenho antes e depois das 12 sessões de treino, na última segunda-feira fiz alguns testes de velocidade, potência, impulsão e força. Também passei pela nutricionista Patrícia Campos, que tirou minhas medidas e me passou uma dieta com a finalidade de não me deixar emagrecer (vocês vão me desculpar, mas eu nasci magricela e tenho facilidade para perder peso, não para ganhar). E, com sorte, favorecer o ganho de massa muscular.
A expectativa é que meu corpo fique mais esperto e mais prevenido contra o envelhecimento. Embora eu ainda seja razoavelmente jovem, sei que a gente começa a envelhecer antes dos 30, e eu não quero esperar "a idade" chegar para tomar as providências.
A sorte está lançada. Vocês, leitores, poderão acompanhar nesta coluna os resultados desse experimento.
(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)
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