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30 de jan. de 2012

O que fazer com nossos vícios

Render-se aos hábitos que aliviam aflições ou buscar prazeres mais saudáveis e duradouros?


Uma das coisas que eu menos entendo sobre as pessoas são seus vícios. Perceba que escrevo na terceira pessoa. Nunca me pareceu que eu tivesse um. Quer dizer... É verdade que já me vi precisando comer um chocolate, sem conseguir que a vontade passasse. Mas não me preocupa minha necessidade de chocolate porque sempre me safisfaço com pouco. OK, há exceções. O bolo de aniversário do meu primo mais novo no ano passado estava tão bom, mas tão bom, que eu não resisti a comer alguns pedaços...

Mas daí a não passar um dia sem comer doce ou tomar refrigerante eu acho que há uma boa diferença. Conheço gente que anda para cima e para baixo com uma garrafa de dois litros de coca-cola, quase como um fumante que tem seu maço de cigarros sempre à mão. Não consigo entender o que torna as pessoas assim tão dependentes de qualquer coisa que não seja fisiológica. Será meramente o prazer? Mas que prazer é esse que traz tantas consequências nefastas?

1 de dez. de 2011

Uma ideia para restaurantes amigos da dieta

E se quem serve a comida também tomasse conta de como você monta o prato?

Eu e minhas ideias atrevidas. Na fila do bufê do restaurante, bem na minha frente, havia uma moça bastante acima do peso, prestes a pesar o prato. O problema não era a quantidade de comida, mas a composição do prato. Arroz integral, purê de batata, bolinhos fritos e carne vermelha. Cadê os vegetais, amiga? Ei, vocês do restaurante, vão deixar essa menina vir aqui comer errado desse jeito? Ninguém vai fazer nada? Socorro!


5 de jul. de 2011

As vantagens de trabalhar em casa


Por que não ter a estrutura de um escritório grande ao meu dispor me ajuda a cuidar da saúde


Um mês depois de voltar a ser freelancer, começo a curtir de novo as benesses de trabalhar num home office. É verdade que, em casa, é preciso tomar alguns cuidados para não deixar a solidão tomar conta e entrar numa certa depressão. Ficar online, marcar almoços de trabalho e encontros com amigos é fundamental para manter a autoestima em alta. Mas, em vários aspectos, é bem mais saudável pro meu corpo ficar sozinha do que passar a maior parte do tempo dentro de uma redação toda estruturada, em que tenho de estar com aparência produtiva o tempo todo. Explico.

Todo dia, lá pelas 17h, me bate aquela fome vespertina inevitável. Na editora, eu tinha uma bolsinha térmica com frutas e algumas variações de lanche, como pão com geleia (gelado) e iogurte com granola à parte. Mas muitas vezes não parava o trabalho para comer assim que a fome batia e deixava o estômago roncando uns bons minutos. Quando o lanche acabava e a fome não tinha terminado, era duro. Até chegar em casa e finalmente jantar, a fome e a irritação cresciam. Mas por que eu não ia atrás de mais comida lá dentro da empresa mesmo? Oras! Porque, além de uma máquina com sanduíches e salgados horrorosos (que eu nunca comprava) em cada andar, só o que havia ali era uma lanchonete com cardápio limitado a uma distância de seis andares e mais 100 metros da minha mesa. Não era solução pra todo dia. 

19 de mai. de 2011

O dia em que me assumi

O corpo fala o tempo todo. E ele diz a verdade

Quando abri os olhos, estava mais madura. Não sei se de fato estava, mas assim me sentia. Tinha sido uma experiência um pouco estranha. Sensações variadas no meu corpo eram acompanhadas de movimentos involuntários e mudanças de humor que, segundo o mentor, estavam me conduzindo à resposta que eu buscava. Estive consciente o tempo todo, mas não vi o tempo passar.

A proposta era conversar com meu inconsciente. Eu faria a ele as perguntas ditadas pelo mentor, em voz alta, e meu inconsciente me responderia por meio de sensações, ideias, dores ou mensagens que eu tentaria captar. Não sabia exatamente no que estava me metendo. Não tinha muita ideia de quem era aquele cara, nem tinha informação sobre a validade de sua técnica. Só aceitei o convite de conhecer seu trabalho.

De pé e olhos fechados, eu repetia as perguntas e observava minhas sensações. Várias vezes, nada senti. Apenas via aquele brilho da luz entrando parcialmente por entre minhas pálpebras. Mas justamente elas, as pálpebras, foram as primeiras a parecer que queriam me dizer alguma coisa. Tremeram logo que as cerrei. E em seguida vieram lágrimas escorrer entre elas. Por quê? Não sabia dizer. Mas aquela luz vaga e amarelada na minha frente parecia crescer, como se eu me aproximasse do sol. Aí a luz ficou branca. Talvez fossem apenas minhas pálpebras se abrindo e deixando a luz forte das lâmpadas entrar. Não interrompi. Deixei que as sensações me conduzissem.

12 de mai. de 2011

Liberdade de escolha?

Não se iluda. Quem decide o que você vai comprar é o mercado


Esta semana, quatro pavilhões da Expo Center Norte estão ocupados pela feira da Apas (Associação Paulista de Supermercados). A feira é gigante, e está lotada de homens de terno e gravata querendo fazer negócios. Todas as grandes marcas de produtos vendidos em supermercados estão lá, expondo novidades. Há também empresas que fornecem sistemas e outras soluções para o varejo. Até bancos participam da feira. Acho que nunca vi tanto poder reunido num lugar só. Paralelamente à feira, há palestras com brasileiros e estrangeiros, entre eles o Ronaldo Fenômeno. Tudo na intenção de tornar o varejo ainda mais bem-sucedido.

Segundo uma palestrante que falou na terça, os supermercados estão ficando tão poderosos quanto as marcas dos produtos que eles vendem. Na análise da americana Natalie Berg, diretora de pesquisa da Natalie Berg Global, quando as lojas eram pequenas e locais, funcionavam como caixas onde os produtos das grandes marcas eram expostos ao consumidor final. Ou seja, não tinham muita importância na escolha dos consumidores. Hoje, num mercado dominado por grandes redes varejistas (Wal Mart, Carrefour, Pão de Açúcar), o varejo pode até decidir não vender mais uma determinada marca, se achar que ela não está de acordo com os seus valores.

25 de fev. de 2010

A barriga é feita de escolhas diárias

Se a vontade é perder peso, não há lugar para as desculpas

Fazia meses que não via meu pai. Tinha esperado as férias para fazer uma visita com calma, sem a mulher, os netos postiços, os amigos e vizinhos todos que costumam animar as festas e, de tanta alegria, não nos deixam conversar sozinhos nem curtir o silêncio juntos. Ainda não conhecia a casa nova, na nova cidade. Pequena, mas cuidadosamente arrumada. Até demais para um homem que mora sozinho, ousei pensar. Dois quartos, uma sala com cozinha americana, uma geladeira quase atrás da porta, tapetes e toalhinhas muito limpos.

– O que você quer comer? - perguntou.

Iríamos almoçar fora, claro. Aquela cozinha pequena é mais para o café; ele não é de cozinhar. Por causa do horário avançado, coisa de duas e meia da tarde de um sábado, sugeri um restaurante a la carte. Não confio nos bufês depois das duas. Comida velha não vale a pena.

Já sentados à mesa, ele me veio com um assunto repetido.

– Filha, estou com uma barriga que está me incomodando. O que faço para me livrar dela?

7 de jan. de 2010

Negociar é preciso

Na relação com amores, familiares e chefes, o lugar da atividade física deve estar garantido


A maioria das pessoas que ainda não adotaram uma prática regular de exercícios provavelmente conhece bem o conjunto de obstáculos ao cumprimento dessa meta. A principal é a falta de tempo. Afinal, a gente trabalha o dia todo, perde tempo no trânsito (ao menos nas grandes cidades), tem de passar no supermercado, preparar o jantar, dar banho nas crianças, assistir ao jornal, dar atenção ao cônjuge... Ou então estudar, encontrar os amigos no happy hour, sair com o namorado (ou a namorada), levar o cachorro para passear... Quando é que sobra tempo para o exercício, não é mesmo?

A questão é que não deve mesmo sobrar tempo para o exercício. Se a gente não reserva e protege um tempo sagrado para ele, restará ao nosso corpo sempre o último lugar entre nossas prioridades. Prioridades?

3 de dez. de 2009

Ginástica em casa

Sempre duvidei dessas propagandas que mostram pessoas sorridentes se exercitando na sala, na cozinha, no jardim. Normalmente há uma geringonça envolvida na história, e atribui-se a ela a incrível e repentina boa forma da pessoa no vídeo. Será que a presença de uma maquininha “milgrosa” dentro de casa é suficiente para um sedentário se transformar num malhador voraz?

Anos atrás, conheci uma adolescente gorda que resolveu tentar emagrecer comprando uma esteira ergométrica. Ela pôs aquele trombolho enorme no quarto dela e, diante do monstro, sentia-se forçada a caminhar sobre ele diariamente por pelo menos meia hora. Eu era amiga da irmã dela – que também estava um pouco acima do peso, mas demorou bem mais a tomar providências – e visitava o apartamento com frequência. Por algum tempo, pelo menos, sei que a garota manteve o hábito de se exercitar na esteira. Mas seus hábitos alimentares eu não vi mudar muito. Com a mãe quituteira – e também fora de forma – que ela tinha, deixar de comer guloseimas calóricas parecia um pouco mais difícil.

Um pouco mais tarde, convivi com uma jovem que tinha seus segredinhos. A maioria das meninas do pensionato dependiam do dinheiro dos pais para se sustentar na capital enquanto cursavam a faculdade e quase ninguém tinha grana pra academia. Mas aquela estudande de direito exibia umas coxas fortes invejáveis e um abdome duro que só muita ginástica seria capaz de garantir. Depois de algumas conversas na cozinha, ela contou que fazia seus agachamentos e seus abdominais ali mesmo ao lado da cama, nos momentos em que sua companheira de quarto estava ausente. Fiquei admirada com a determinação daquela moça. Aparentemente, a ginástica solitária funcionava perfeitamente para ela.