Com a ajuda do trabalho de gente talentosa, talvez como você, a indústria vicia o mundo em junk food
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Numa ótima reportagem do programa 60 Minutos, da americana CBS News, um jornalista veterano vai conhecer de perto a indústria de aromas e sabores aplicados em alimentos processados. As imagens mostram os inúmeros vidrinhos de "perfume comestível" desenvolvidos em laboratório por pesquisadores especializados em farejar e copiar aromas encontrados em frutas, carnes e outros alimentos da natureza.
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14 de fev. de 2012
6 de fev. de 2012
Não procure emprego. Procure aliados
Salário bom é aquele que te dá a chance de fazer o bem
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Não sei se é a época, se é coincidência ou se são minhas "antenas" que estão mais atentas ao fato. Ocorre que, aparentemente, cada vez mais pessoas que admiro estão desencanando de contar com a "tranquilidade" garantida por um emprego fixo e preferindo trocá-la pelo risco de ficar algum tempo (ou uma vida) procurando algo melhor para fazer.
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Não sei se é a época, se é coincidência ou se são minhas "antenas" que estão mais atentas ao fato. Ocorre que, aparentemente, cada vez mais pessoas que admiro estão desencanando de contar com a "tranquilidade" garantida por um emprego fixo e preferindo trocá-la pelo risco de ficar algum tempo (ou uma vida) procurando algo melhor para fazer.
24 de jan. de 2012
Quem você quer (mesmo) ser quando crescer?
Só mesmo com a pureza de uma criança para conseguir responder rápido a pergunta mais difícil de todos os tempos
Caramba, quando eu poderia imaginar que seria tão penoso descobrir quem eu quero ser quando crescer? Quando me perguntavam isso na infância, parecia tão fácil responder. Bastava examinar rapidamente as opções disponíveis (bailarina, palhaça, médica... eram poucas as que eu conhecia naquela época) e escolher a que me parecesse mais divertida. Parece que, à medida que fui crescendo, a resposta foi ficando mais difícil, talvez porque as opções foram se mostrando pouco divertidas ou totalmente desconhecidas.
Caramba, quando eu poderia imaginar que seria tão penoso descobrir quem eu quero ser quando crescer? Quando me perguntavam isso na infância, parecia tão fácil responder. Bastava examinar rapidamente as opções disponíveis (bailarina, palhaça, médica... eram poucas as que eu conhecia naquela época) e escolher a que me parecesse mais divertida. Parece que, à medida que fui crescendo, a resposta foi ficando mais difícil, talvez porque as opções foram se mostrando pouco divertidas ou totalmente desconhecidas.
29 de nov. de 2011
Equilibrando os papéis
Talvez a segurança não esteja no chão firme, mas em acrobacias e malabarismos acertados
Estou experimentando um novo nome para este
blog. O nome antigo fez sentido por alguns anos, mas minha vida está mudando, me
ensinando novas lições, me trazendo novas crenças, e tornou-se necessário rever
algumas posições.
19 de set. de 2011
A bandeira de cada um
Quem acredita no que faz não aceita fazer
outra coisa
Volto ao tema do Congresso de Nutrição
Funcional para contar mais uma história que conheci por lá.
Ouvi do fotógrafo Gustavo Negrini, dono da
E3 Marketing, responsável pela divulgação do evento, que sua agência de
comunicação nasceu da sua identificação pessoal com o ideal da saúde. Ele trabalhava
para uma academia de ginástica na zona Norte de São Paulo quando decidiu
empreender e tornar-se um colaborador terceirizado. Logo foi chamado para
assumir a comunicação da franquia Mundo Verde, depois assumiu a conta de
algumas nutricionistas e então o mundo da nutrição fisgou-lhe de um jeito
irresistível. Tão irresistível que ele desistiu de trabalhar com outros temas e
carimbou sua marca como uma agência que divulga apenas conteúdo sobre nutrição,
esporte e bem-estar. Para Gustavo, isso significa selecionar clientes e
parceiros, mesmo que isso signifique perder contratos ambiciosos que poderiam
injetar mais recursos na sua pequena empresa. “Eu jamais vou trabalhar para uma
empresa de refrigerantes, por exemplo”, decreta.
Apoiadíssimo, colega.
7 de jan. de 2010
Negociar é preciso
Na relação com amores, familiares e chefes, o lugar da atividade física deve estar garantido
A maioria das pessoas que ainda não adotaram uma prática regular de exercícios provavelmente conhece bem o conjunto de obstáculos ao cumprimento dessa meta. A principal é a falta de tempo. Afinal, a gente trabalha o dia todo, perde tempo no trânsito (ao menos nas grandes cidades), tem de passar no supermercado, preparar o jantar, dar banho nas crianças, assistir ao jornal, dar atenção ao cônjuge... Ou então estudar, encontrar os amigos no happy hour, sair com o namorado (ou a namorada), levar o cachorro para passear... Quando é que sobra tempo para o exercício, não é mesmo?
A questão é que não deve mesmo sobrar tempo para o exercício. Se a gente não reserva e protege um tempo sagrado para ele, restará ao nosso corpo sempre o último lugar entre nossas prioridades. Prioridades?
A maioria das pessoas que ainda não adotaram uma prática regular de exercícios provavelmente conhece bem o conjunto de obstáculos ao cumprimento dessa meta. A principal é a falta de tempo. Afinal, a gente trabalha o dia todo, perde tempo no trânsito (ao menos nas grandes cidades), tem de passar no supermercado, preparar o jantar, dar banho nas crianças, assistir ao jornal, dar atenção ao cônjuge... Ou então estudar, encontrar os amigos no happy hour, sair com o namorado (ou a namorada), levar o cachorro para passear... Quando é que sobra tempo para o exercício, não é mesmo?
A questão é que não deve mesmo sobrar tempo para o exercício. Se a gente não reserva e protege um tempo sagrado para ele, restará ao nosso corpo sempre o último lugar entre nossas prioridades. Prioridades?
17 de set. de 2009
Difícil comer bem no trabalho
Segundo todos os nutricionistas que eu já
consultei em meus 11 anos como jornalista, uma alimentação saudável é
feita de cinco ou seis refeições diárias, com quantidades e tipos de
diferentes de alimentos em cada uma. A recomendação para quem acorda
cedo e mantém uma rotina de exercícios é que se faça um desjejum bem
servido ao acordar. Três horas depois, um lanche mais modesto. Passadas
mais três horas, um almoço completo. Outras três, um lanche da tarde.
Mais três horas, o jantar e, conforme for, antes de dormir, uma ceia
leve. Tudo balanceado, com muitas frutas e hortaliças e calorias
limitadas.
A questão é como seguir essas recomendações no período de trabalho. Será que nossa rotina favorece uma alimentação saudável? Quem nunca ficou preso numa reunião interminável e perdeu a hora de almoçar? Quem não passou fome a ponto de sentir o estômago e a cabeça doendo? Quem nunca pediu umas bolachas ao colega porque não podia escapar até a cafeteria da esquina?
Comer bem o dia inteiro e fora de casa depende de haver uma oferta variada de alimentos saudáveis onde quer que você esteja, aonde quer que você vá, em todos os horários em que você precisar comer, e que você tenha condições de consumir. Se você trabalha no centro da cidade, pode ser que encontre opções de alimentação das mais diversas a qualquer horário do dia e a poucos metros do seu emprego. Mas, se você trabalha numa região afastada de qualquer centro urbano, onde não dá para caminhar com segurança nem existe aonde ir a pé porque tudo que há em volta são estradas, carros e caminhões, é bem possível que você precise preparar em casa uma cesta de piquenique todos os dias antes de sair.
O êxito no desafio de se alimentar bem no horário de trabalho depende, a meu ver, dos seguintes fatores:
- A distância, em deslocamentos a pé, da empresa em que você trabalha até uma variedade de casas comerciais que vendam alimentos saudáveis frescos ou industrializados;
- Os preços praticados nessas casas;
- A higiene e a qualidade nutricional dos alimentos vendidos nesses lugares;
- A existência de restaurante(s) e cafeteria(s) de qualidade dentro da empresa;
- A existência de uma copa ou cozinha com pia, geladeira e microondas ou marmiteiro para uso dos funcionários dentro da empresa;
- A existência, perto da sua estação de trabalho, de um local limpo e confortável para comer os alimentos que você leva de casa;
- O direito de se ausentar de sua estação de trabalho para se alimentar em outros horários além do de almoço;
- O meio de transporte que você usa para ir ao trabalho e a quantidade de bagagem que você consegue carregar em trânsito;
- Os hábitos alimentares do seu chefe no horário de trabalho;
- Os horários em que você entra e sai do trabalho;
- Os horários e o tamanho da sua fome;
- Os deslocamentos no meio do dia e as atividades que você tem fora da empresa.
Um amigo comentou outro dia que, em algumas empresas de vanguarda, que procuram promover o bem-estar dos funcionários, como o Google, a refeição é tão boa, mas tão boa, que os funcionários engordam de tanto comer. Ele se lembrava especialmente de um petit gateau na sobremesa uma vez por semana. Era um benefício que acabava fazendo mal.
Mas esse não é o problema na maioria das empresas. O problema mais complicado é a falta de opções.
Uma vez
visitei uma fábrica na beira de uma estrada na Grande São Paulo. Era
impraticável passear pelas redondezas a pé. Os operários passavam o dia
lá e só saíam para ir para casa. Todas as refeições eram feitas lá. Eles
estavam orgulhosos do novo refeitório, bem melhor que o antigo. Naquele
dia, comeram hambúrguer. Fiquei surpresa. Se hambúrguer era exemplo do
novo cardápio saudável, o que será que eles comiam antes?
Por falar em hambúrguer, esta semana, uma loja do McDonald's foi condenada na Justiça a indenizar um ex-funcionário que tinha sido alimentado somente com lanches da rede em seu horário de trabalho durante quase dois anos. A decisão do juiz afirmou ser prejudicial ingerir aquele tipo de comida diariamente “em substituição a uma das principais refeições do dia, por um longo período de tempo”. Mas, segundo notícia veiculada no site de Época, a loja diz que, assim como outras empresas do setor, estava cumprindo com sua obrigação ao oferecer alimentação, “conforme a legislação vigente”. A empresa ainda não sabe se vai recorrer da decisão.
A legislação manda que as empresas garantam uma refeição por dia aos trabalhadores com turno de mais de seis horas, seja por meio de vale-refeição ou refeitório. Na maioria dos casos, essa refeição é o almoço. O restante das refeições fica por conta e risco dos funcionários.
Empresas com algumas centenas de funcionários costumam ter pelo menos uma cafeteria ou lanchonete dentro do prédio. Por causa da correria do dia a dia, ela acaba sendo a solução para a fome de quem não leva nem uma frutazinha de casa. Mas, ao contrário dos refeitórios, a lanchonete não costuma ter um cardápio elaborado por uma nutricionista e não é obrigada a vender somente alimentos saudáveis. Se nem as cantinas escolares são, imagine as lanchonetes que lucram com centenas de funcionários famintos. Elas vendem o que querem. E você compra só se quiser.
Um outro amigo meu almoça no refeitório, mas não gosta de comer na lanchonete da empresa. Ele leva de casa, todos os dias, uma bolsa térmica com frutas frescas escolhidas a dedo na feira, e conservadas com uma bolsinha de gel congelado. Mata a fome no fim da tarde sem nem sair da frente do computador. E haja fruta para aguentar até a hora do jantar.
Nas empresas pequenas, no entanto, parece que as refeições “caseiras” têm mais espaço para acontecer. E a impressão que tenho é que, nessas empresas, os chefes ficam mais próximos dos funcionários e todo mundo assume que tem fome e precisa comer bem. Conheci dois chefes que ofereciam o almoço para suas equipes ali mesmo, na casa em que estavam instaladas sua pequenas empresas de comunicação. Em ambos os casos, na cozinha onde todos podiam abrir a geladeira e se servir de água num copo de vidro, uma cozinheira preparava o almoço para todos, com arroz, feijão, alguma carne, legume cozido, salada. Igualzinho à comida da casa da gente. E almoçavam todos numa mesa grande, como uma família. Quem quisesse podia guardar seus lanchinhos na geladeira, pois havia espaço.
Nos escritórios de prédios comerciais, normalmente existe uma pequena cozinha com pia e espaço para pelo menos um frigobar. Se há uma funcionária para manter a limpeza e se todos concordam em não esquecer estoques de comida na geladeira por muitos dias, é perfeitamente possível guardar ali frutas, iogurtes e demais alimentos adequados para os lanches da manhã e/ou da tarde. Desde que não entrem todos ao mesmo tempo na cozinha.
A Consolidação das Leis Trabalhistas, que nos garante o almoço diário no meio do expediente, é de 1943. Hoje, com as informações que a ciência nos proporcionou, sabemos que um bom almoço não basta. A gente consegue criar as próprias alternativas e até transformar nosso gabinete debaixo da mesa do escritório em despensa. Mas vai ficar um pouco mais fácil fazer todas as refeições do dia com qualidade se as empresas de alimentação e as que nos contratam também fizerem questão de que nossa alimentação seja a melhor possível.
(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)
A questão é como seguir essas recomendações no período de trabalho. Será que nossa rotina favorece uma alimentação saudável? Quem nunca ficou preso numa reunião interminável e perdeu a hora de almoçar? Quem não passou fome a ponto de sentir o estômago e a cabeça doendo? Quem nunca pediu umas bolachas ao colega porque não podia escapar até a cafeteria da esquina?
Comer bem o dia inteiro e fora de casa depende de haver uma oferta variada de alimentos saudáveis onde quer que você esteja, aonde quer que você vá, em todos os horários em que você precisar comer, e que você tenha condições de consumir. Se você trabalha no centro da cidade, pode ser que encontre opções de alimentação das mais diversas a qualquer horário do dia e a poucos metros do seu emprego. Mas, se você trabalha numa região afastada de qualquer centro urbano, onde não dá para caminhar com segurança nem existe aonde ir a pé porque tudo que há em volta são estradas, carros e caminhões, é bem possível que você precise preparar em casa uma cesta de piquenique todos os dias antes de sair.
O êxito no desafio de se alimentar bem no horário de trabalho depende, a meu ver, dos seguintes fatores:
- A distância, em deslocamentos a pé, da empresa em que você trabalha até uma variedade de casas comerciais que vendam alimentos saudáveis frescos ou industrializados;
- Os preços praticados nessas casas;
- A higiene e a qualidade nutricional dos alimentos vendidos nesses lugares;
- A existência de restaurante(s) e cafeteria(s) de qualidade dentro da empresa;
- A existência de uma copa ou cozinha com pia, geladeira e microondas ou marmiteiro para uso dos funcionários dentro da empresa;
- A existência, perto da sua estação de trabalho, de um local limpo e confortável para comer os alimentos que você leva de casa;
- O direito de se ausentar de sua estação de trabalho para se alimentar em outros horários além do de almoço;
- O meio de transporte que você usa para ir ao trabalho e a quantidade de bagagem que você consegue carregar em trânsito;
- Os hábitos alimentares do seu chefe no horário de trabalho;
- Os horários em que você entra e sai do trabalho;
- Os horários e o tamanho da sua fome;
- Os deslocamentos no meio do dia e as atividades que você tem fora da empresa.
Um amigo comentou outro dia que, em algumas empresas de vanguarda, que procuram promover o bem-estar dos funcionários, como o Google, a refeição é tão boa, mas tão boa, que os funcionários engordam de tanto comer. Ele se lembrava especialmente de um petit gateau na sobremesa uma vez por semana. Era um benefício que acabava fazendo mal.
Mas esse não é o problema na maioria das empresas. O problema mais complicado é a falta de opções.
Por falar em hambúrguer, esta semana, uma loja do McDonald's foi condenada na Justiça a indenizar um ex-funcionário que tinha sido alimentado somente com lanches da rede em seu horário de trabalho durante quase dois anos. A decisão do juiz afirmou ser prejudicial ingerir aquele tipo de comida diariamente “em substituição a uma das principais refeições do dia, por um longo período de tempo”. Mas, segundo notícia veiculada no site de Época, a loja diz que, assim como outras empresas do setor, estava cumprindo com sua obrigação ao oferecer alimentação, “conforme a legislação vigente”. A empresa ainda não sabe se vai recorrer da decisão.
A legislação manda que as empresas garantam uma refeição por dia aos trabalhadores com turno de mais de seis horas, seja por meio de vale-refeição ou refeitório. Na maioria dos casos, essa refeição é o almoço. O restante das refeições fica por conta e risco dos funcionários.
Empresas com algumas centenas de funcionários costumam ter pelo menos uma cafeteria ou lanchonete dentro do prédio. Por causa da correria do dia a dia, ela acaba sendo a solução para a fome de quem não leva nem uma frutazinha de casa. Mas, ao contrário dos refeitórios, a lanchonete não costuma ter um cardápio elaborado por uma nutricionista e não é obrigada a vender somente alimentos saudáveis. Se nem as cantinas escolares são, imagine as lanchonetes que lucram com centenas de funcionários famintos. Elas vendem o que querem. E você compra só se quiser.
Um outro amigo meu almoça no refeitório, mas não gosta de comer na lanchonete da empresa. Ele leva de casa, todos os dias, uma bolsa térmica com frutas frescas escolhidas a dedo na feira, e conservadas com uma bolsinha de gel congelado. Mata a fome no fim da tarde sem nem sair da frente do computador. E haja fruta para aguentar até a hora do jantar.
Nas empresas pequenas, no entanto, parece que as refeições “caseiras” têm mais espaço para acontecer. E a impressão que tenho é que, nessas empresas, os chefes ficam mais próximos dos funcionários e todo mundo assume que tem fome e precisa comer bem. Conheci dois chefes que ofereciam o almoço para suas equipes ali mesmo, na casa em que estavam instaladas sua pequenas empresas de comunicação. Em ambos os casos, na cozinha onde todos podiam abrir a geladeira e se servir de água num copo de vidro, uma cozinheira preparava o almoço para todos, com arroz, feijão, alguma carne, legume cozido, salada. Igualzinho à comida da casa da gente. E almoçavam todos numa mesa grande, como uma família. Quem quisesse podia guardar seus lanchinhos na geladeira, pois havia espaço.
Nos escritórios de prédios comerciais, normalmente existe uma pequena cozinha com pia e espaço para pelo menos um frigobar. Se há uma funcionária para manter a limpeza e se todos concordam em não esquecer estoques de comida na geladeira por muitos dias, é perfeitamente possível guardar ali frutas, iogurtes e demais alimentos adequados para os lanches da manhã e/ou da tarde. Desde que não entrem todos ao mesmo tempo na cozinha.
A Consolidação das Leis Trabalhistas, que nos garante o almoço diário no meio do expediente, é de 1943. Hoje, com as informações que a ciência nos proporcionou, sabemos que um bom almoço não basta. A gente consegue criar as próprias alternativas e até transformar nosso gabinete debaixo da mesa do escritório em despensa. Mas vai ficar um pouco mais fácil fazer todas as refeições do dia com qualidade se as empresas de alimentação e as que nos contratam também fizerem questão de que nossa alimentação seja a melhor possível.
(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)
3 de set. de 2009
A dieta da diarista
Cerca de quatro semanas atrás, recebi um
telefonema um tanto sinistro. O marido da faxineira lá de casa, com uma
voz típica de sala de espera de hospital, me avisava que ela estava
doente e não poderia trabalhar naquela semana. Em vez de ficar brava por
de repente me ver sem uma solução imediata para a bagunça e a louça
acumuladas no meu apartamento, como já tinha acontecido outras vezes,
fiquei verdadeiramente preocupada. Talvez por causa da voz fraca do
marido, que por um instante me fez pensar que ela estava morta. Desta
vez não era uma mais uma consulta médica em plena segunda-feira, dia em
que os pronto-socorros estão mais lotados (dizem que a maioria vai ao
médico só para pegar atestado e faltar ao trabalho). Desta vez a Débora
(não é o nome verdadeiro dela, mas vou chamá-la assim aqui na coluna)
estava mesmo doente, de repouso, e nem poderia compensar sua falta vindo
fazer a faxina no dia seguinte. Todas as suas clientes ficariam sem ela
por um tempo. E ela perderia a paga de todos os dias em que ficaria
parada.
A faxina no meu apartamento foi resolvida dois dias depois, por uma diarista substituta que uma amiga indicou. Mas a doença da Débora ainda me preocupava. No fim de semana, telefonei para saber o que ela tinha. Ela me contou que tinha ido a um cardiologista por causa de uma dor no peito e que um exame acusou colesterol alto. Opa! Então o problema deveria ser a alimentação, pensei. Eu sabia que ela não costumava almoçar. Lá em casa, pelo menos, como nunca tenho almoço (moro sozinha e só faço jantar, em porções pequenas), ela só beliscava. Uma banana, uma fatia de pão e só. Fiz uma espécie de entrevista com a Débora pelo telefone. E minha suspeita se confirmou.
Para começar, a Débora sai de casa cedo pra caramba sem tomar café da manhã. Em vez de almoçar, belisca. Até chegar em casa, entre 17h30 e 19h, quando prepara o jantar da família, quase não come nada. O jantar costuma ser substancioso, com carne vermelha. “Adoro uma picanha”, ela me disse. Isso quando ela janta, porque em dias de muito cansaço ela vai para cama praticamente em jejum. Em algumas madrugadas, acorda com fome. E no dia seguinte, não sei como, tem pique para limpar um apartamento inteiro, lavar e passar, tomar não sei quantos ônibus e ainda cuidar do seu filho de quatro anos.
Antes de entrevistá-la, eu imaginava que ela compensava a falta de almoço com refeições reforçadas antes de sair de casa e depois do trabalho. Quando descobri que não era bem assim, fiquei espantada. E fiquei mais espantada ao ouvir de uma nutricionista que o que acontece com a Débora acontece com inúmeras diaristas. Será que com a sua não está acontecendo o mesmo?
Trabalhadores assalariados têm, por direito, um horário de almoço e alguma ajuda de custo para esse almoço. Em muitas empresas há o refeitório, em outras o vale-refeição. Aqui na Editora Globo, por exemplo, há uma nutricionista que decide o cardápio do restaurante da empresa com base no que ela considera mais saudável e procura orientar os funcionários na escolha dos alimentos. A Débora não é assalariada nem trabalha numa empresa com nutricionista. Como diarista, ela não tem vínculo empregatício com nenhuma de suas clientes. Não é minha obrigação dar almoço para ela. Mas não posso aceitar que ela deixe de se alimentar bem enquanto trabalha.
Minha primeira atitude foi buscar informação. Conversei com a nutricionista Viviane Laudelino Vieira, do Centro de Referência para a Prevenção e Controle de Doenças Associadas à Nutrição (CRNUTRI), que fica dentro de uma Unidade Básica de Saúde em Pinheiros. Ali, moradores e trabalhadores da região são atendidos em grupo por estudantes do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP. Entre eles, muitas trabalhadoras domésticas. Segundo Viviane, a maioria vem por recomendação médica por causa dos mesmos problemas de sempre: colesterol alto, pressão alta, pré-diabetes e alta taxa de triglicérides. E as causas desses problemas também se repetem muito. Essas pessoas ficam muitas horas sem se alimentar e deixam de comer fontes importantes de nutrientes essenciais, além de exceder em gorduras nocivas e açúcares. E, por causa da correria, não arrumam tempo para fazer exercícios regularmente.
Essa combinação é uma bomba para a saúde. Quando a comida é pouca, o organismo entra em economia de guerra, ou seja, gasta o mínimo de energia para não pifar até a próxima refeição. Resultado: a pessoa engorda. Aí tenta emagrecer “fechando a boca”, suspende as refeições completas, come menos ainda e engorda mais. E, em boa parte dos casos, só descobre que sua saúde está ameaçada quando faz exames de sangue.
Conheci três trabalhadoras domésticas que estão participando dos encontros no CRNUTRI. Maria de Lourdes achava que parar de comer iria reduzir o tamanho da sua barriga, mas ela só cresceu. Miraci só tinha comido um pão de queijo com café preto de manhã e mais nada até pelo menos as 15h, horário em que conversou comigo. Fã de doce de leite e banana, disse que seria difícil mudar seus hábitos depois de tantos anos deixando a salada para depois. Pré-diabética, Maria das Graças precisou que o médico lhe jogasse na cara que estava gorda para começar uma dieta. Diz que já conseguiu perder um pouco de peso cortando os doces.
A Débora tem 40 anos de idade e não é gorda. Gosta de salada e detesta peixe. Ela ainda não passou por uma nutricionista, mas eu já sei que uma das recomendações que ela irá receber para reduzir seu colesterol será fazer cinco ou seis refeições equilibradas todos os dias. Ela já voltou ao trabalho, com algumas novidades. Na última segunda-feira, me disse que sairia para almoçar em algum restaurante barato perto da minha casa. Também me disse que pretende trazer frutas e bolachas na bolsa, para comer ao chegar e no meio da tarde. Como patroa preocupada, tentei ajudar com incentivos. Dei a ela, de presente, uma bolsa térmica e uma vasilha com divisórias para ela trazer uma marmita refrigerada de casa. Assim, ela poderá, ao preparar o jantar, reservar seu almoço do dia seguinte.
O CRNUTRI atende apenas pessoas que moram ou trabalham com vínculo empregatício ali na região. Embora talvez não com a mesma estrutura proporcionada pela parceria com a USP, outras unidades de saúde municipais devem ter atendimento nutricional gratuito. Não é obrigação dos patrões, mas me parece que não custa nada bater um papo com sua trabalhadora doméstica sobre a saúde dela e, se for o caso, sugerir que ela procure profissionais competentes do seu município que a ensinem a se alimentar melhor. Com saúde, todo mundo sai ganhando.
(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)
A faxina no meu apartamento foi resolvida dois dias depois, por uma diarista substituta que uma amiga indicou. Mas a doença da Débora ainda me preocupava. No fim de semana, telefonei para saber o que ela tinha. Ela me contou que tinha ido a um cardiologista por causa de uma dor no peito e que um exame acusou colesterol alto. Opa! Então o problema deveria ser a alimentação, pensei. Eu sabia que ela não costumava almoçar. Lá em casa, pelo menos, como nunca tenho almoço (moro sozinha e só faço jantar, em porções pequenas), ela só beliscava. Uma banana, uma fatia de pão e só. Fiz uma espécie de entrevista com a Débora pelo telefone. E minha suspeita se confirmou.
Para começar, a Débora sai de casa cedo pra caramba sem tomar café da manhã. Em vez de almoçar, belisca. Até chegar em casa, entre 17h30 e 19h, quando prepara o jantar da família, quase não come nada. O jantar costuma ser substancioso, com carne vermelha. “Adoro uma picanha”, ela me disse. Isso quando ela janta, porque em dias de muito cansaço ela vai para cama praticamente em jejum. Em algumas madrugadas, acorda com fome. E no dia seguinte, não sei como, tem pique para limpar um apartamento inteiro, lavar e passar, tomar não sei quantos ônibus e ainda cuidar do seu filho de quatro anos.
Antes de entrevistá-la, eu imaginava que ela compensava a falta de almoço com refeições reforçadas antes de sair de casa e depois do trabalho. Quando descobri que não era bem assim, fiquei espantada. E fiquei mais espantada ao ouvir de uma nutricionista que o que acontece com a Débora acontece com inúmeras diaristas. Será que com a sua não está acontecendo o mesmo?
Trabalhadores assalariados têm, por direito, um horário de almoço e alguma ajuda de custo para esse almoço. Em muitas empresas há o refeitório, em outras o vale-refeição. Aqui na Editora Globo, por exemplo, há uma nutricionista que decide o cardápio do restaurante da empresa com base no que ela considera mais saudável e procura orientar os funcionários na escolha dos alimentos. A Débora não é assalariada nem trabalha numa empresa com nutricionista. Como diarista, ela não tem vínculo empregatício com nenhuma de suas clientes. Não é minha obrigação dar almoço para ela. Mas não posso aceitar que ela deixe de se alimentar bem enquanto trabalha.
Minha primeira atitude foi buscar informação. Conversei com a nutricionista Viviane Laudelino Vieira, do Centro de Referência para a Prevenção e Controle de Doenças Associadas à Nutrição (CRNUTRI), que fica dentro de uma Unidade Básica de Saúde em Pinheiros. Ali, moradores e trabalhadores da região são atendidos em grupo por estudantes do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP. Entre eles, muitas trabalhadoras domésticas. Segundo Viviane, a maioria vem por recomendação médica por causa dos mesmos problemas de sempre: colesterol alto, pressão alta, pré-diabetes e alta taxa de triglicérides. E as causas desses problemas também se repetem muito. Essas pessoas ficam muitas horas sem se alimentar e deixam de comer fontes importantes de nutrientes essenciais, além de exceder em gorduras nocivas e açúcares. E, por causa da correria, não arrumam tempo para fazer exercícios regularmente.
Essa combinação é uma bomba para a saúde. Quando a comida é pouca, o organismo entra em economia de guerra, ou seja, gasta o mínimo de energia para não pifar até a próxima refeição. Resultado: a pessoa engorda. Aí tenta emagrecer “fechando a boca”, suspende as refeições completas, come menos ainda e engorda mais. E, em boa parte dos casos, só descobre que sua saúde está ameaçada quando faz exames de sangue.
Conheci três trabalhadoras domésticas que estão participando dos encontros no CRNUTRI. Maria de Lourdes achava que parar de comer iria reduzir o tamanho da sua barriga, mas ela só cresceu. Miraci só tinha comido um pão de queijo com café preto de manhã e mais nada até pelo menos as 15h, horário em que conversou comigo. Fã de doce de leite e banana, disse que seria difícil mudar seus hábitos depois de tantos anos deixando a salada para depois. Pré-diabética, Maria das Graças precisou que o médico lhe jogasse na cara que estava gorda para começar uma dieta. Diz que já conseguiu perder um pouco de peso cortando os doces.
A Débora tem 40 anos de idade e não é gorda. Gosta de salada e detesta peixe. Ela ainda não passou por uma nutricionista, mas eu já sei que uma das recomendações que ela irá receber para reduzir seu colesterol será fazer cinco ou seis refeições equilibradas todos os dias. Ela já voltou ao trabalho, com algumas novidades. Na última segunda-feira, me disse que sairia para almoçar em algum restaurante barato perto da minha casa. Também me disse que pretende trazer frutas e bolachas na bolsa, para comer ao chegar e no meio da tarde. Como patroa preocupada, tentei ajudar com incentivos. Dei a ela, de presente, uma bolsa térmica e uma vasilha com divisórias para ela trazer uma marmita refrigerada de casa. Assim, ela poderá, ao preparar o jantar, reservar seu almoço do dia seguinte.
O CRNUTRI atende apenas pessoas que moram ou trabalham com vínculo empregatício ali na região. Embora talvez não com a mesma estrutura proporcionada pela parceria com a USP, outras unidades de saúde municipais devem ter atendimento nutricional gratuito. Não é obrigação dos patrões, mas me parece que não custa nada bater um papo com sua trabalhadora doméstica sobre a saúde dela e, se for o caso, sugerir que ela procure profissionais competentes do seu município que a ensinem a se alimentar melhor. Com saúde, todo mundo sai ganhando.
(Originalmente publicado em www.epoca.com.br)
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